Reta final: mais onze horas e meia e 2002 fica pra trás.
É um ano que não deixa saudades em mim: embora rico em coisas boas, foi um ano difícil e lhe dou adeus com imenso prazer.
Sei que quando amanhecer não haverá nada de diferente - exceto minha expectativa e esperança num novo tempo. Pode ser uma ilusão, mas me parece um razoável começo...
Deixo aqui meu agradecimento pela companhia e cumplicidade, pela troca.
Fiquem com o meu desejo de que 2003 seja um ano bom, em todas as direções, para todos nós. Para o mundo...
Expressões Letradas
"Quem diz tudo o que quer
dizer?
A gente sempre escala sobre o mais importante
- porque as palavras não são capazes
de traduzir as nossas misérias."
("A Casa das Sete Mulheres")
Terça-feira, Dezembro 31, 2002
Sabem o que é?
Aquela, de Petrópolis, navega aqui no micro ao lado.
Eu, revisando a crônica para quarta-feira, sou interrompida: "Você acha que sou antipática no meu blog?"
Caio na risada. Antipática? Bem, é uma pergunta delicada...
Olhando pra ela aqui, tão tranquila, conhecendo-a tão queridamente, sabendo bem o que lhe vai por dentro, respondo que não.
Mas repenso: quem a lê, decididamente, pode pensar que ela escreve para privilegiados: sua imaginação, fértil, provavelmente seja algo que poucos conseguem acompanhar com real precisão.
É preciso vê-la rir, ouvi-la aqui ao lado resmungando enquanto lê um sem número de blogs, para entender realmente do que ela escreve, fala, sonha, inventa e vive. E mesmo assim, ela ainda confunde.
É uma mulher maravilhosamente comum e infinitamente especial. Inteira contradição...
Domingo, Dezembro 29, 2002
Hoje tivemos uma tarde tão agradável quanto surpreendente para um domingo que não prometia nada além de uma piscina - pela manhã -, um almoço simples - de lasanha muito saborosa (modéstia à parte) - e aquele peculiar escorregar da preguiça dominical.
Tudo isso deliciosamente quebrado quando ela - que já foi virtual mas há cinco anos é queridamente real -, telefonou perguntando se podia vir nos ver. Com bombons e geléias exóticas nas mãos, ela chegou junto ao namorado.
E foi papo de não acabar mais... E sorvete, frutas carameladas, bala de nozes, castanhas, coca-cola, café: aqui em casa tem aquela coisa de se agregar à mesa e deixar o tempo passar, as horas avançando imperceptíveis - a noite desce, avança, ninguém nota. Também tem riso de montão - a gente até fala sério mas é tudo sempre tão leve que parece brincadeira.
E amanhã chega a moça de Petrópolis, que adiou a viagem - o que foi uma pena, porque teria sido ainda melhor se ela estivesse conosco, que somos todos amigos de longa data.
É um privilégio ímpar receber pessoas em nossa casa, compartilhar experiências, sentimentos, dividir a vida - essa, que está sempre mostrando que vale pelos momentos e pelas pequenas grandes coisas e alegrias...
"Os caminhos são para as jornadas, não para os destinos..." (Dos Ensinamentos de Buda, em Anna e o Rei)
Ao final de cada ano, há uma tendência em nós a fazer um balanço dos dias que se passaram.
No ano passado, eu fiz esse exercício e agora, ao lê-lo, vi o quanto estava equivocada num monte de conclusões. Daí que falo por mim: não sei se isso é útil.
Muita coisa que eu pensei resolvida em 2001, continuou ao meu encalço. Meu sentimento em relação a algumas situações que eu pensava ter administrado, foi aflorado porque ainda havia assuntos pendentes que eu, ilusoriamente, achei que estivessem liquidados: não estavam e eu precisei de mais muitos meses para fechar um ciclo que se iniciou em 2000.
É assim a vida: emoção, infelizmente, não corre na velocidade do tempo e nos engana.
Daquele resumo, continuei buscando me centrar e reaprender. Faltou entendimento para muitas coisas e se saltei adiante, descobri que o perdão não tinha se feito - e se a culpa foi minha ou da outra parte envolvida, não importa: fato é que descobri que perdoar é um ato que envolve mais que nossa vontade e ainda que dependesse só dela, pra dizer a verdade, nesse caso, não há grandes disposições em mim para tamanha generosidade, confesso.
É certo que continuei a desenvolver certezas, e isso foi especialmente produtivo: eu que detesto a mentira, tratei de parar de mentir pra mim.
Meu pai continua a me fazer falta e às vezes choro - muito (por isso e por outras coisas).
De toda forma, encerro novamente o ano na calma, junto ao meu marido - e isso é bom: se eventualmente se tem contratempos, o amor ainda grita mais alto.
Continuo sem fazer promessas e pedindo para que sejamos poupados das tragédias sem sentido.
O que está feito, está feito, não há nenhuma possibilidade de mudar - de modo que não adianta olhar pra trás.
O que estava proposto e não foi atingido, não foi. Restam duas alternativas: esquecer ou renovar os votos. Remoer, repensar, culpar-se, não resolve a questão e faz mal ao fígado.
Estou de olhos grudados no futuro. O passado não mais me pertence: o exercício principal, nesse momento, é deixá-lo ir-se - pra bem longe de mim...
Sábado, Dezembro 28, 2002
O novo CD de Maria Bethânia, Maricotinha ao Vivo, registra o show que esteve em cartaz em São Paulo - comemorativo dos seus 35 anos de palco -, e marca sua estréia no selo independente Biscoito Fino.
Cantando, falando com o público e recitando poesias de Fernando Pessoa, Lya Luft e vários autores - inclusive desconhecidos -, o CD prima pela delicadeza dessa cantora que é um ícone na música brasileira.
De tudo - que é belíssimo -, o que mais me chamou a atenção foi esse texto - de autor desconhecido.
Quem já não vacilou diante de um amor que é tão certo?
Quando o amor vacila
Eu sei que atrás deste universo de aparências
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem,
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes,
Pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas,
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo o teu jogo triste.
As tuas roupas sujas, é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria,
mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência,
até pelo que você podia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado nas águas do equívoco...
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo,
quando sozinha bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual...
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras,
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma e mais que as palavras
ainda que seja através delas que eu me defendo.
Quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis
Quando o próprio amor vacila...
De vez em quando, na madrugada dessa São Paulo concretada, eu ouço uma cigarra cantar. Acho que ela se perde entre os jardins dos muitos prédios ao redor e pousa aqui, bem debaixo da minha janela, cantando bem alto - como para alcançar o 11º andar.
Então eu sinto um pouco de saudade de lá, onde vivi por muito tempo e onde minha mãe e meus irmãos continuam a morar.
Lá, especialmente na casa da minha mãe - num condomínio que já foi um brejo -, a gente ainda ouve o coaxar dos sapos, o canto das cigarras, e vê o voar dos vagalumes - pequenos pontos brilhantes na noite que se ilumina de estrelas no azul marinho mais puro.
Eu sinto muita saudade do meu pai e não cabe em mim a incompreensão por sua morte prematura - aceito, mas não entendo.
Por causa dela, minha família se divide: não mais comemorações na casa grande, mas em outras casas, muito menores. Meu irmão mais novo vai pra casa da namorada; meu irmão do meio faz ceia em sua casa com a família de sua esposa; eu permaneço aqui junto dessa família que herdei - e com a qual sou muito feliz.
Minha mãe, hoje avessa a badalações, dá uma breve passada na casa do meu irmão do meio (mais por conta das crianças, os netos), que mora a um quilômetro dela - aqui, eventualmente consigo trazê-la para almoçar no dia seguinte, mas esse ano não foi possível convencê-la.
Depois, ela se recolhe.
Eu telefono e a encontro lá, a voz calma no silêncio de sua solidão. Esforço-me para não chorar e passar-lhe da minha alegria numa tentativa - inútil, eu sei - de contagiar-lhe. Posso imaginá-la sentada numa das cadeiras de balanço, na penumbra do abajour da sala de jantar, de frente para a mesa vazia, onde outrora ela se sentava, lado a lado com meu pai depois que a calmaria da festa se instalava, a mesa ainda posta, para comentar sobre como tudo tinha sido bom... Eles ouviam Roberto Carlos, juntos - todo ano seu disco novo ecoava sobre o nosso natal.
É pena, é muita pena que isso tudo, tão cedo, já seja parte da nossa memória, passado - não tão distante, mas já história.
Outras situações nos acalentam, é verdade: há muita coisa boa para todos nós. Mas fato é que falta alguém e cada um lida com isso à sua maneira - e nem sempre é fácil...
Quinta-feira, Dezembro 26, 2002
A noite de natal aqui em casa foi especial - como sempre o é. Todos os filhos, as noras, a neta, um dos irmãos do meu marido com a família: uma reunião tumultuada e feliz, com todo mundo falando ao mesmo tempo, rindo, trocando presentes e, claro, comendo muito e brindando tudo.
Depois vem a calma: as mulheres sentadas na sala, naquele papo peculiar que envolve maridos, filhos, os afazeres tradicionais e o universo feminino - que estamos sempre tentando decifrar -, enquanto os homens debandam cá pra dentro, nos computadores e seus assuntos tecnólogicos - e os nem tanto.
Antes, ela telefonou - como sempre faz - e é sempre bom ouvir-lhe - tanto mais pra saber que domingo ela aporta nessa São Paulo para nos ver antes de seguir viagem para onde vai cruzar o portal de 2003.
E ontem, no final da tarde, ela - linda, de cabelo mais curto! - nos presenteou com sua deliciosa visita - e um potinho de açucares em multi-formatos natalinos -, sempre muito querida e delicada, rindo conosco - mais que nunca, alguém que é parte da nossa vida agora.
Mas eu confesso - e ela é testemunha viva e real -, fiquei exausta depois que tudo acabou. É tanta coisa pra deixar tudo em ordem, e a correria também é tanta, que quando a gente pára e relaxa, vê que, como dizia o pai do meu marido, o corpo é uma máquina como outra qualquer.
Faltou-me forças até para escrever. Eu, ontem à tarde, deitei-me para ler o livro que ganhei de uma das minhas noras - O Homem Duplicado, de José Saramago - e não consegui passar das cinco primeiras linhas: dormi feito pedra, só levantando quando avisada de que ela estava subindo.
Mas bom mesmo é que tudo saiu bem e que foi uma noite agradável seguida de um dia tranquilo, mais um natal que se soma aos nossos dias felizes, às muitas recordações que, no futuro, serão parte das nossas melhores lembranças.
É a vida, acontecendo...
Terça-feira, Dezembro 24, 2002
Domingo, Dezembro 22, 2002
Chego de mais um encontro com as moças da sexta-feira - uma delas e eu hoje acompanhadas dos respectivos maridos.
Sr. e Sra. Letti Lima são pessoas muito queridas - ela especialmente.
E a moça do sótão - que, por incrível que pareça, eu só consigo encontrar quando ela aporta do Rio nessa São Paulo -, é alguém por quem também tenho imenso carinho.
Daí que quando a gente se reúne, as três, uma sintonia desce sobre nós, e o tempo, longo, que se fica sem se falar - por razões muitas e não por vontade -, desaparece feito mágica: muito riso e muito papo - sério e nem tanto -, fazem as horas passar sem a gente nem perceber. De repente já é madrugada alta - algumas vezes, quase de manhã...
E eu vou dizer: não é por nada que a gente não divulga a chegada dela. É só puro egoísmo mesmo, pra roubá-la de todos - que a saudade é muita - e muito o que falar - e o tempo é sempre muito pouco.
E agora que ela já alçou vôo de volta pra casa, eu prometo que, da próxima vez, aviso todo mundo. Prometo sem muita certeza de que irei cumprir porque ainda tem muito papo atrasado que é passível de acumular com o que ainda vai surgir pra conversar...
Tenho recebido muitos cartões virtuais, recadinhos aqui e lindas páginas - indicadas ou próprias - com textos belíssimos desejando feliz natal.
Eu gostaria de poder retirbuir cada um da mesma forma, mas me falta criatividade para tanto.
Estou também com uma sensação de urgência, como se o tempo estivesse passando depressa demais, esgotando-se não sei bem pra que nem porque.
Então, peço que não entendam como descaso minha ausência de resposta.
Eu desejo para todos o dobro dos desejos que vêm em minha direção. Só está me faltando, nesse momento, o caminho da expressão...
Sábado, Dezembro 21, 2002
Eu poderia escrever sobre a noite de hoje mas não estou autorizada - ainda, só depois que acabar, que a noite continua pelo fim de semana. É um pacto entre mulheres companheiras dessa jornada a que chamam vida, que riem, sorriem, presenteiam-se com pequenas coisas que mostram o quanto se querem bem e são cúmplices na delicadeza, e se abraçam, distribuem carinho, colo e trocam um tanto da impressões que não cabem aqui, de tão extensas em experiência e sabedoria.
Sempre ouvi dizer que as mulheres guerreiam umas com as outras, numa competição infindável, em que pratos como a intriga, o despeito, a inveja são servidos com requintes de traiçoeira enganação.
Mas minha vivência mostra que essa é uma das mentiras nas quais acreditamos e que, se não tomarmos cuidados, com base nesses parâmetros, podemos nos comportar dessa forma, perdendo o prazer de ter, em outra mulher, o retrato fiel de nós mesmas, de nossas angústias e alegrias, sem desfrutar do benefício de conhecer e entender desse universo onde reinamos, todas, soberanas, ainda que vez ou outra rivais.
Ser mulher é uma dádiva. Ter mulheres por perto é uma sorte. A amizade e o amor de uma mulher são um privilégio ímpar.
O Vale da Sabedoria mora em nós...
Quinta-feira, Dezembro 19, 2002
Tô lendo por aí que muita gente está preguiçosa pra escrever.
Eu também...
Eu não sou fâ ardorosa do Roberto Carlos - aliás, não o sou de ninguém -, mas todo ano assisto ao especial dele pela Rede Globo. Meu pai, colecionador dos discos dele, vivia cantarolando pela casa suas canções - aquelas, antigas, que na minha opinião são as melhores.
Mas não é exatamente do show que quero falar - sempre bonito, bem produzido, top de linha -, mas sobre esse sentimento que ele conserva pela mulher - que hoje faz três anos que morreu.
Questionado pela jornalista Gloria Maria sobre se poderia vir a amar novamente, declarou um imperativo não, saindo pela tangente dizendo que amava aos amigos, à família, aos fãs. À insistência da repórter, disse que não era possível amar outra mulher porque o amor que ele e Maria Rita têm - notem o verbo no presente -, transforma o romance de Romeu e Julieta num flerte.
Dá vontade de chorar...
Num tempo em que o amor parece emoção descartável, ouvir esse tipo de confissão tem uma beleza e um significado que se perde na grandeza.
Lembrei de uma amiga que faleceu há seis anos, vítima de um câncer na medula. Tinha 36 anos e dois filhos pequenos. Três meses depois, o marido alugou uma casa pra mãe dela - que vivia com eles -, e anunciou que ia vender a casa deles, pois ia se casar e a nova mulher não queria viver na casa que ela tinha morado.
Tudo bem: ela ficou doente por dois anos, seu cabelo caiu, a pele enrugou - por causa da quimio - e ela não era mesmo um modelo de sedução. Mas fala sério, hein? Que tipo de mulher se torna amante de um homem esperando a esposa dele morrer?
É... Meu pai costumava dizer - e deve ser um ditado popular - que viúvo é quem morre.
Modernidade... Às vezes dá asco...
Quarta-feira, Dezembro 18, 2002
Hoje tem Cronica do Dia.
Pela manhã...
Terça-feira, Dezembro 17, 2002
E hoje cortei o cabelo - de novo!
Agora, do jeitinho que eu queria, finalmente: curtinho, estilo Lady Di.
O cabeleireiro, surpreso com meu pedido, disse que ela, cujo cabelo foi tendência, há muito não era lembrada: as mulheres são supersticiosas, me confidenciou, todas morrem de medo de que a maldição da princesa recaia sobre elas.
Fala sério, hein?
Eu? Tô linda. Quase uma Di...
E a moça do M-Musica esteve comigo. Nana é uma das muitas pessoas que a Internet me trouxe, há cinco anos.
Veio do Rio para o evento "M-Musica desafina a fome" - que ela organiza -, e passou pra me ver: chegou às quatro da manhã.
Ficou pouco tempo - muito pouco, muito menos do que eu gostaria, do que a gente precisava pra falar de tudo e rir muito -, mas muito válido.
Todo tempo é válido junto aos que se quer bem e todo tempo será pouco, afinal.
Mas ela prometeu voltar e ficar mais - sem se deixar 'roubar' tanto pela música - que agora, como ela gostou de ouvir, tem dois 'emes'.
Eu fico esperando essa volta, ansiosa, porque estar com ela é sempre bom.
Nós a deixamos no aeroporto e eu fiquei com a impressão de que ela estava aqui há mais tempo, daquele jeito que deixa mais saudade agora do que antes.
E ela me deixou, com todo seu carinho, o livro de Etel Frota, o Artigo Oitavo.
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo." (Thiago de Mello)
Pois a terça-feira hoje amanheceu domingo.
E chamam isso de virtualidade...
Segunda-feira, Dezembro 16, 2002
Ela está questionando sobre o amor - mais precisamente quando é que a gente sabe que está amando. É uma questão delicada, uma pergunta que só a gente pode se responder.
A primeira mulher do meu marido, Denise - hoje já falecida -, quando minha enteada, por volta dos seus dezoito anos perguntou como ela saberia que estaria amando, sorriu e deu uma das respostas mais simples e corretas que alguém poderia fazê-lo nessa circunstância: "Quando você estiver amando, vai saber..."
Mas eu ainda era adolescente quando li algo sobre isso e copiei, sem saber do autor. Talvez explique um pouco...
Se você se emociona até às lágrimas diante de um sofrimento ou sente seu coração bater mais forte ao ver alguém... Não é Amor: é sensibilidade.
Se você se deixa subjugar pela força ou pelo encanto; se, seduzido, se deixa levar... Não é Amor: é envolvimento.
Se perturbado você se extasia diante da beleza de alguém querendo contemplá-la para dela gozar; se acha seu espírito notável e procura o prazer de sua conversa... Não é Amor: é admiração.
Se você quer, a todo custo, obter uma carícia, um beijo, um olhar, um toque... Isso também não é Amor: é sensualidade.
Se você pensar que alguém é tudo para você, e os seus sentimentos, seus pensamentos, suas atividades ficarem exclusivamente voltados para essa pessoa... Digo que também isso não é Amor: é paixão.
Amar não é emocionar-se, aniquilar-se, admirar, desejar, querer possuir.
Essencialmente, amar é fazer dom de si mesmo.
Se você sentir que seu coração cresce afetivamente, que você está mais atento, mais disponível, mais dedicado ao mundo ao seu redor, é certo que você esteja amando...
Este site está fazendo uma enquete sobre o Melhor Blog da Semana.
O Diário de Caox está participando.
Quem puder, dá uma passadinha lá pra votar...
O aniversário da neta, ontem, foi lindo.
Com motivos de Cinderela, a decoração azul e rosa estava de babar. E ela, nossa pequena, um encanto.
Mas o que mais gosto nesses eventos é da reunião de todos os filhos - esses, que são de outras mães, mas sempre me parecem muito meus...
No final da festa, quando todos tinham ido embora e só nós e uma das irmãs da mãe dos primeiros filhos de meu marido (a avó oficial da Giu, infelizmente já falecida) estávamos lá, sentados numa grande roda, o cenário era digno de registro além da memória - embora seja apenas nela que as imagens se fixem, que ninguém lembra de fotografar.
Lado a lado, filhos que passaram muito tempo distantes uns dos outros por razões que não mais importam, são mais que irmãos: são amigos. Noras, genro, a neta: uma família grande e feliz.
É mais uma das coisas que não tem preço, uma dádiva para nós...
Sábado, Dezembro 14, 2002
Ele fez uma lista de palavras que inspiram essa época do ano e nos instiga a completá-la. Muitos que lá visitam deixam sua contribuição. Eu deixei a minha: o perdão.
Daí pensei sobre isso e vi que nem sempre o exercito - e fiquei com aquela sensação do faça o que eu falo, não o que eu faço.
É: tem alguém que eu não consigo perdoar...
O perdão é uma dádiva. Perdoar é um ato de profunda sensibilidade. É aquela coisa de compreender a fraqueza humana, sabendo que somos, todos, passíveis de cometer atos que magoem, aborreçam, prejudiquem, de forma muitas vezes incalculável, um semelhante.
Mas sejamos francos: perdoar não é lá tão fácil.
E eu tenho essa dívida comigo mesma: não consigo perdoar uma pessoa. Já se passaram mais de dois anos desde que ela cruzou o meu caminho e, embora ela não mais me atinja e eu não tenha nenhum tipo de sentimento contra ela, o perdão não se fez. Sei disso porque se não a quero mal, não posso dizer que a quero bem; se não me incomodo em ouvir falar dela, também não cogito encontrá-la - ainda que isso, no futuro, venha a se fazer necessário.
Talvez isso se dê porque ela nunca me pediu perdão, jamais reconheceu seu erro. É muita pretensão minha, sem dúvida, achar que isso pudesse acontecer, mas deveria ser assim. Eu, quando magôo alguém, ainda que não imediatamente mas reconhecido o entrave, trato logo de me redimir. Daí, nada mais natural que receber o mesmo tratamento, oras!
Mas sei: não é assim.
Tem também a visão da outra parte. Temos um amigo, advogado civil, que - hoje mais para constatação e muito por diversão -, quando está às voltas com um divórcio costuma conversar separadamente com os envolvidos. E sempre diz que ao final dessas conversas, sempre tem a impressão que está falando com parceiros de casamentos diferentes: sim, cada um tem uma versão muito própria para o rompimento e suas razões.
Por aí, posso concluir que a pessoa que não perdôo pode pensar que eu é que lhe devo pedidos de desculpas!
Então tá. Fiquemos com o dito pelo não dito. A virtude do perdão, em direção a ela, me falta - e deve continuar assim por muito tempo...
Que Deus me perdoe.
Sexta-feira, Dezembro 13, 2002
Ontem eu assisti, na Globo, ao filme Imperdoável. É comum, sem atores hollywoodianos - e até um pouco antigo -, mas trata de um tema bem pertinente: a violência doméstica contra a mulher.
Muito diferente de Dormindo com o Inimigo e A Lua dos Amantes, por exemplo - produções que visavam bilheteria e não abordar a questão realmente -, ele é baseado numa história real - daí talvez a sua seriedade e ampliação de focos. Longe de apenas mostrar a superfície do problema, traz uma proposta de reabilitação, um trabalho de terapia grupal com os homens que reconhecem sua pouca - ou nenhuma, digamos - habilidade para lidar com uma parceira.
Normalmente, isso tem raízes mais fundas - algum tipo de repressão na infância ou adolescência, um modelo de violência em casa que, inconscientemente, se repete, enfim: nada que justifique, mas passível de explicação.
Nos EUA, estima-se que em cada dez casamentos, três se enredam nesse descontrole.
No Brasil, imagino que esse número seja maior. Uma matéria da Revista Claudia, um tempo atrás, dizia que grande número de mulheres que enfrentam a violência doméstica está nas classes média e média-alta.
Mas as estatísticas são pouco precisas, uma vez que poucas denunciam. A mulher dessa categoria social teme por sua exposição na sociedade, pela reputação do marido - geralmente alguém de alto e médio escalão profissional -, e se retrai, recua e aceita a violência como parte do pacote.
O filme retrata bem isso - aliás, esse marido em questão nem foi denunciado pela mulher, mas pela amante (a quem ele quase matou de pacandas).
Ao final, reabilitado, a esposa o aceitou de volta e, segundo consta, vivem juntos há onze anos - mais os dezessete que ela viveu apanhando.
A filha mais velha do casal - eles tinham três filhos - nunca se reconciliou com o pai totalmente.
É, como diz o título, algo imperdoável. Eu concordo.
Li em algum lugar, rapidamente, que a novelista Gloria Perez perdeu outro filho para a morte. Enterrar um filho já é doloroso; dois, é inimaginável.
Isso me remeteu à quando meu primeiro marido faleceu - num acidente de moto. Minha primeira sogra, uma mulher forte, tinha nos filhos sua realização maior. Marcelo era o caçula, com quem ela naturalmente era mais apegada. O impacto foi tanto, que na semana seguinte ela foi internada com uma crise nervosa. Meses mais tarde, eu vim a saber que continuava sob cuidados médicos, à base de remédios.
Mas a vida ainda lhe tinha um segundo tranco: quase quatro anos depois, a filha mais velha suicidou-se. A última notícia que tenho deles - dela e do meu sogro -, é que tinham vendido tudo e ido morar na fazenda - no meio do nada em Poços de Caldas. Eles têm mais um filho, do meio, que imagino e desejo esteja bem em algum lugar.
Fico pensando na fatalidade repetitiva que se abate sobre algumas pessoas: no início, são apenas um casal; têm filhos - dois, três, vários; eles crescem, casam-se e a família se multiplica com noras, genros, netos.
Então, um dia, a morte começa a varrê-los, um a um, impiedosa, sem aviso prévio, sem contestação, inegociável. Incompreensível.
Vez ou outra penso neles e no final de novembro lembrei-me dela (a mãe do meu primeiro marido): foi seu aniversário. Tentei calcular no tempo sua idade: talvez setenta anos - um pouco mais ou menos, não tenho certeza. Como terá driblado sua dor nesses dezessseis anos (para ela, certamente muito mais longos)? De que maneira terá sobrevivido a duas tragédias sem sentido?
Espero que a vida tenha lhe dado algum tipo de descanso ou que tanto sofrimento a tenha anestesiado.
Ninguém deveria passar por isso...
Quinta-feira, Dezembro 12, 2002
Hoje fomos ao cinema ver Doce Lar - Sweet Home Alabama.
Não é uma super-produção nem tem atuações brilhantes: os personagens são bonitos - Jake (Josh Lucas) tem uns olhos azuis des-lum-bran-tes - e a trama é divertida.
Um conto de fadas country define bem.
Mas o que sempre me chama a atenção é o fato das pessoas voltarem pra trás em relacionamentos. A mocinha do filme o faz, em princípio, por um motivo necessário - precisa do divórcio para casar-se novamente.
Mas - e aqui entra um imenso MAS -, reencontrando o ex-marido percebe que bateu a porta sem fechá-la: deixou ali uma brecha aberta, um vão pelo qual seus sentimentos se confundem. Tudo bem: sendo um conto de fadas (e um Jake) nada mais natural que um final feliz.
Só que o filme acaba.
Eu sempre me pergunto diante de algumas situações retratadas na tela, o que efetivamente aconteceria se o enredo se alongasse além do felizes para sempre.
Seis meses depois - só seis meses - quantos casais vivendo um recomeço continuariam juntos? Quantos, depois de um buraco na relação - no caso do filme, precisamente sete anos -, conseguem retomar as emoções e o cotidiano junto a pessoas que, na verdade, não são mais as mesmas que se deixou?
Não consigo me desvencilhar da imagem congelada: é aquela que a memória registrou como idealizada.
Há em nós uma tendência, quando a separação se dá, de tornar o outro um ser perfeito, lembrando apenas dos momentos bons. Ninguém se lembra, quando está sozinho e com aquela sensação de ter perdido o amor da vida, de quantas vezes chorou porque o outro foi grosseiro, reticente, distante - estando ali ao alcance das mãos -, chato, aborrecido, intransigente, genioso... resumindo: insuportável nas mais diversas ocasiões.
Não... A lembrança agarra-se ao seu perfume, à sua voz gentil e delicada - embora, muitas vezes, rara -, às gentilezas - ainda que eventuais -, enfim: à perfeição em forma de gente.
O resultado costuma ser um sofrimento interminável, olhos fechados para o mundo, ninguém à altura daquele que nos abandonou - ou que, por uma insanidade momentânea, abandonamos.
Eu sei porque já fiz esse exercício de auto-destruição - eu também não saí impune.
Só que alguém saberia me explicar, por favor, porque é preciso o fim para que os parceiros - ou pelo menos um deles - se descubram maravilhosas almas gêmeas?
Não é por nada não - e longe de mim desanimar alguém -, mas parece que na vida real o cenário, normalmente, não se encaixa com a mesma facilidade da ficção.
Quarta-feira, Dezembro 11, 2002
Estou às voltas com o natal. Esse ano facilitou muito porque resolvemos fazer amigo secreto, diminuindo a quantidade de presentes.
Mas as crianças não querem saber nada disso - para elas, a festa é essa: ganhar presentes...
Então ontem lá fui eu tentar liquidar essa pendência, pois pensando que seria fácil, esse ano não antecipei.
E daí tem o aniversário da neta, no domingo, e achei de providenciar um brinquedo.
Entro numa loja especializada e pergunto sobre brinquedos para um ano. A moça sorri e me diz que é na seção barulho. Eu a acompanho e quando chego lá, percebo que a expressão é literal: crianças de um ano brincam com brinquedos barulhentos...
Eu me formei no magistério, dei aula pra maternal, mas tinha me esquecido: é ensurdecedor!
Para minha sorte, tinha uma mãe e sua filhinha. Peço socorro a ela, que é muito gentil e, certamente exausta daquela confusão de sons que deve se refletir em sua casa, indica um brinquedo silencioso: bonecos de encaixe. Nada podia ser mais perfeito! Agradeço e vou pra uma loja de roupas: sim, vem chegando em março o segundo neto, Leonardo e, por enquanto, a questão pode ser resolvida com um macacãozinho branco de golas e bolsinho azuis (marinho), tecido quadriculado, um palhacinho bordado.
Para minha sobrinha, um vestidinho - que no aniversário, recente - que na verdade é em 22 de dezembro -, dei-lhe um CD (das Rouge).
Agora estou às voltas com um presente para o meu sobrinho, que é conectado em tecnologia e jogos de computador. E ainda falta o presente de um dos amigos secretos, que eu tirei um dos enteados - o esportista -, que quer uma bola de futebol ou uma máscara de mergulho. E mais um para a neta.
Como eu disse no início, esse ano facilitou muito, mas como vocês podem ver, não tanto...
Um pouco do fim de semana retrasado, em Campos do Jordão: vista da casa e a Capela...
Também eu e uma das minhas cunhadas, a Lila; os quatro irmãos reunidos no órgão e o jantar de sábado - pizza no forno à lenha.

Terça-feira, Dezembro 10, 2002
Hitler. Eu li no blog dele sobre o ódio pelos alemães - de certa forma compreensível, já que ele é judeu.
Então, eu que nunca escrevi aqui sobre isso, achei de dar uma palavrinha - não exatamente por ele, que é muito querido, e para quem, como ele disse, sou a exceção.
Sou descendente de alemães - tá no meu nome, né? Meu avô veio para o Brasil fugindo da guerra.
Certa ocasião, em visita a Curitiba, um amigo judeu de um conhecido me foi apresentado. Imediatamente uma rejeição clara tomou o ambiente: há um rancor contra os alemães que, eventualmente, se repassa a seus descendentes e um desconforto se instala.
Claro que não é uma regra: eu tenho muitos amigos judeus, dos quais gosto infinitamente, que jamais fizeram qualquer referência à minha nacionalidade descendente. Mas quando acontece, é lamentável.
Sempre digo que é pouco provável que o mundo ou muitos dos seus habitantes venham a entender que os descendentes de alemães carregam o estigma do holocausto sem nunca, em tempo algum, terem concordado com aquele horror. Para nós - quaisquer "nós" com pouco ou muito de sangue alemão e mínimo senso de discernimento - é um peso essa marca.
É preciso saber que não se pode julgar um povo inteiro pela atitude de um governante insano e manipulador e que mesmo os alemães contrários a essa arbitrariedade, já na época, não tinham muito a fazer contra uma ditadura que, também a eles, era imposta - e há que se considerar que, na verdade, eles tinham uma idéia vaga do que acontecia, sem saber ao certo a extensão da gravidade.
Eu me orgulho de ser descendente de um alemão que ousou fugir daquilo tudo, arriscando sua vida pela liberdade, ainda que limitada - porque Hitler prendeu a todos, inclusive aos seus, numa dor dilacerante: os barulhos da arbitrariedade desmedida não abandonam quem os ouviu, não importa de que lado estavam.
A memória do holocausto não é orgulho para a Alemanha - nem para seus filhos, seus netos, bisnetos, para nenhum de seus descendentes.
A memória do holocausto é uma lição que deveria servir de exemplo para que nunca mais o mundo provasse da loucura. E no entanto, muitos povos ainda estão à mercê dela, submissos e impotentes, numa era em que o ser humano prima pela evolução e se vangloria de sua sabedoria...
Assistimos hoje - agora já é ontem -, o filme Jogo de Espiões.

Brad Pitt e Robert Redford fazem um casamento perfeito numa trama que se sustenta do começo ao fim: Vietnã, espionagem, CIA, amizade, romance, verdades e mentiras. Catherine McCormack - de Coração Valente -, faz uma coadjuvante sem grande alarde mas com a delicadeza marcante que lhe é peculiar.
Operação Jantar Fora.
Bárbaro...
Mas domingo é o primeiro aniversário da neta do meu marido - minha por extensão.
E ele, num ato de verdadeiro DJ infantil, passou a tarde baixando MP3 de Xuxa, Eliana e afins, para fazer um mix de balada para a festinha.
Estávamos, agora pouco, fazendo a seleção final para gravação dos CD´s. Nesse momento, um já está em teste e nossos ouvidos se deleitam nessa madrugada com a inocência esquecida em músicas como o Pato Pateta, Lua de Cristal, Arco Íris, Atirei o Pau no Gato.
A noite: uma criança...
Domingo revimos Cidade dos Anjos - a refilmagem americana de Asas do Desejo, de Wim Wenders, com Meg Ryan, Nicholas Cage e Andre Braugher, ator negro dono de um dos sorrisos mais lindos que eu já vi (pena ele ainda aparecer pouco).
Esse é mais um filme que pertence à safra dos enredos que caminham para um final feliz e acabam surpreendendo com o que eu chamo de tragédia sem sentido.
Mas a mensagem dele é bonita e especial. O livre arbítrio. A queda pelo amor.
Quantos de nós teriam coragem de descer dos céus, saltando no abismo do desconhecido, para aprender e sentir de dor, sofrimento, de lágrimas, morte e saudade? Quantos apostariam a eternidade por um beijo, um toque das mãos, um olhar, um dia junto de alguém?
Encanta-me também as cenas da praia, o amanhecer e o anoitecer, anjos de preto reunidos ao som de uma música que só a eles é dado o direito de ouvir. E na biblioteca...
E então, quando me lembro deles, de seus olhos, fico pensando quantos anjos vagam por essa terra, despencados por suas escolhas. Com quantos já terei cruzado?
Isso me faz lembrar de uma ocasião em que eu saía do trabalho, já muito tarde - aqueles dias em que uma redação de jornal pode te prender por quinze horas em suas paredes. Eu ia para casa dirigindo devagar, a cabeça a mil - eu era jovem, tinha ficado viúva, vivia sozinha, cheia de responsabilidades de repente, sem saber nada sobre o presente, apavorada com o futuro. Chorava - sem razão e por todas. Parei no semáforo e uma garotinha se aproximou do vidro do carro: tinha a pele queimada de sol, os olhos muito azuis, um sorriso nos lábios e uma rosa nas mãos. Eu me assustei - a gente sempre se assusta...
Ela estendeu a flor e me disse, marota: "Não chora... Você é muito bonita para chorar... Vai dar tudo certo..." Eu sorri para ela, peguei a flor, olhei pra frente, e quando virei para ela novamente, ela já não estava mais lá, nem ao redor do carro, em nenhum lugar. Mas tinha sido real: a rosa descansava no meu colo e perfumava o ar...
E você, em quantos anjos já esbarrou?
Então hoje me dei conta da pouca disposição para escrever nesse blog. A verdade é que tantos dias fora dele, intercalando meias palavras e meias idéias, fizeram fugir de mim a ligação estreita que eu mantinha. Apagou-se uma labareda, que agora parece brilhar na luz de uma vela fraca.
É assim que percebo, de repente, meu desapego. Mora em mim aquela natureza de não apressar o rio, deixando-o correr sozinho. A compreensão de que o círculo que nos fecha, abre-se num tempo que apenas ele conhece e dita - fechando e abrindo debaixo de ordens inerentes à nossa vontade.
Sei de deixar partir - e de partir -, de permanecer, esperar a volta, fechar ciclos. Sei, especialmente, de descansar - quando o muito esforço não angaria os resultados desejados. E não sei de muitas coisas...
Mas vivo um dia de cada vez e talvez haja tanta vida que o pensamento não consegue acompanhar o movimento para registrar.
Câmbio: refazendo contato...
Domingo, Dezembro 08, 2002
Bem: agora acho que posso dizer que voltei - porque esse micro deu um alarme falso: estava funcionando só pela metade... Depois disso, eu tive que abrir uma nova conta no Blogger porque a que eu tinha deu uma pane - parece que essa foi a semana das confusões virtuais...
Não muda nada - exceto que se alguém quiser ler o que foi escrito nesses primeiros dias, clica nos arquivos de Dezembro.
Mas então pude colocar esse espaço em ritmo de Natal - coisa que queria ter feito no domingo, ao retornar de viagem.
E vamos em frente. Se o outro espaço voltar a funcionar, retorno pra lá...



