• Porque escrever é um vício.

    Ontem eu assisti, na Globo, ao filme Imperdoável. É comum, sem atores hollywoodianos - e até um pouco antigo -, mas trata de um tema bem pertinente: a violência doméstica contra a mulher.
    Muito diferente de Dormindo com o Inimigo e A Lua dos Amantes, por exemplo - produções que visavam bilheteria e não abordar a questão realmente -, ele é baseado numa história real - daí talvez a sua seriedade e ampliação de focos. Longe de apenas mostrar a superfície do problema, traz uma proposta de reabilitação, um trabalho de terapia grupal com os homens que reconhecem sua pouca - ou nenhuma, digamos - habilidade para lidar com uma parceira.
    Normalmente, isso tem raízes mais fundas - algum tipo de repressão na infância ou adolescência, um modelo de violência em casa que, inconscientemente, se repete, enfim: nada que justifique, mas passível de explicação.
    Nos EUA, estima-se que em cada dez casamentos, três se enredam nesse descontrole.
    No Brasil, imagino que esse número seja maior. Uma matéria da Revista Claudia, um tempo atrás, dizia que grande número de mulheres que enfrentam a violência doméstica está nas classes média e média-alta.
    Mas as estatísticas são pouco precisas, uma vez que poucas denunciam. A mulher dessa categoria social teme por sua exposição na sociedade, pela reputação do marido - geralmente alguém de alto e médio escalão profissional -, e se retrai, recua e aceita a violência como parte do pacote.
    O filme retrata bem isso - aliás, esse marido em questão nem foi denunciado pela mulher, mas pela amante (a quem ele quase matou de pacandas).
    Ao final, reabilitado, a esposa o aceitou de volta e, segundo consta, vivem juntos há onze anos - mais os dezessete que ela viveu apanhando.
    A filha mais velha do casal - eles tinham três filhos - nunca se reconciliou com o pai totalmente.
    É, como diz o título, algo imperdoável. Eu concordo.

    0 comentários:

     

    Arquivo do blog

    Perfil

    Minha foto

    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

    Se tem algo a dizer, envie sua msg.

    Nome

    E-mail *

    Mensagem *