• Porque escrever é um vício.

    POESIAS


    LENDA

    Sou Lenda 
    Porque as Lendas
    São envoltas em Mistérios e Magias.
    São uma criação dos caminhos da mente,
    Da vaga imaginação,
    Da liberação dos silêncios da Alma...

    Sou Lenda
    Porque as Lendas correm livres junto ao Vento
    Buscando as vozes da memória para que alcancem
    As histórias perdidas no Tempo...

    Sou Lenda
    Pelo desejo incontido que há em mim
    De tornar possível o encontro entre a Lua e o Sol,
    Diminuindo o entrave da Dor...

    Então, 
    Sendo Lenda
    Posso cavalgar pelos seus Sonhos,
    Velejar pelos mares da sua Saudade,
    Passear, solta, pelo seu Pensamento...

    Sendo Lenda
    Posso brincar na sua Alegria,
    Ser parte da sua Emoção,
    E caminhar, tranquila, pela sua Ilusão...

    Sendo Lenda
    Posso escrever meu nome em sua Vida,
    E me instalar no aconchego do seu Coração,
    Como uma Sensação chegando pelo perfume do ar...

    Sendo Lenda
    Posso ser parte de Você,
    Sem você perceber...

    ***

    AUSÊNCIA

    É esperança que se apaga.
    É a compreensão de que na curva infinita do tempo
    Não encontraremos a estrada
    Que nos leva ao encontro do que nos roubou a alegria,
    Do que partiu, nos deixou, do que não volta...
    É a distância, o longe que existe, a eternidade de silêncios...
    Ausência é a necessidade que não se atende...
    É o vazio entre o frio e o calor...  É o toque negado...
    A ternura perdida...  O perfume evaporado...
    O beijo adiado - para sempre, talvez...
    Ausência é, pura e simplesmente, a falta...

    ***

    RESUMO DE MIM

    Sentir teu perfume...
    Desejar teu beijo...
    Iluminar teu sorriso...
    Tocar teu rosto...

    Segurar tua mão...
    Decifrar o brilho dos teus olhos...
    Viajar em teus sonhos...
    Fugir contigo: 
    Amar você...

    ***

    DO DELÍRIO

    Foi mágico chegar aqui 
    Guardando comigo um pouco da sua essência: 
    O aroma da primeira estrela...

    ***

    DA EXTRAVAGÂNCIA

    A queda da pequena flor
    Quebrando a harmonia do grande lago...

    ***

    DO BRILHO FALSO

    Nos meus olhos um brilho:
    Pensam que é de alegria...
    Enganam-se.
    É o brilho da saudade, 
    Que brinca, marota e traiçoeira, 
    Camuflando minha dor...

    ***

    DISTÂNCIA

    Sinto sua falta.
    O tempo segurando as horas que não passam,
    A vida fazendo ecos no silêncio, 
    Minha dor, muda, presa na garganta.
    E você, em algum lugar, 
    Pensando que te esqueci...

    ***

    MIRAGEM

    Olho-me no espelho:
    Imagem de uma mulher que não conheço.
    Linhas de expressão: a face perdida.
    Olhos apagados. Lábios cerrados.
    Marcas da dor, reflexos do nada, mudez da solidão.
    E na colina, a visão da tarde que morre no horizonte...

    ***

    SAUDADE

    Desce a noite:
    Entardecer vermelho
    Anunciando céu estrelado.
    Pensamento distante
    Buscando você...
    No horizonte livre, 
    Na brisa calma, 
    Na primeira estrela.
    Não estás...
    E uma lágrima brinca em minha face...

    ***

    INQUIETAÇÃO

    Chove... Faz frio...
    Mas não venta - e isso é uma pena. 
    A possibilidade de viver um dia inteiro 
    Sem saudades de você
    Parece só um sonho...

    ***

    INCOERÊNCIA

    Há lágrimas em minhas faces
    Na noite que escorre nas horas
    Que avançam na madrugada
    Parecendo afastar-te mais e mais...

    Um segundo, outro segundo, um minuto...

    No entanto, segurar o tempo 
    Seria uma tortura:
    Olhos grudados no teto do mundo, 
    Frio no vazio das luzes, 
    Coração imerso na saudade
    Sabendo-te longe de qualquer jeito.
    E lá fora, na escuridão, sob as estrelas, 
    Os ventos brincam de beijar-te o perfume...

    ***

    FASES

    Amanhece... 
    E o brilho do sol
    Invade-me inteira
    Despertando a mulher adormecida, 
    A criança marota,
    A menina inocente...

    Na tarde que desce
    Por do sol no horizonte
    A brisa calma 
    Entristece a mulher ferida,
    A criança inquieta
    A menina carente...

    Na noite que avança
    O escuro do nada
    Domina minh’alma
    E esconde a mulher selvagem
    A criança perdida
    A menina calada...

    ***

    DESEJO

    Pudera adormecer nessa madrugada fria...
    No entanto, em meu peito passeia uma nuvem de amargura
    Transpassando a agonia que explode no meu coração partido, 
    Escorre nas veias do meu corpo cansado,
    Verte águas dos meus olhos sofridos...

    Pudera adormecer para esquecer a dor...
    Ser levada pelos braços encantados dos sonhos,
    Navegar em mares calmos minha jangada pequena,
    Ser acariciada pelos ventos que anunciam a liberdade,
    Tocar os céus, brincar com a Lua, roubar estrelas...

    Pudera adormecer para não mais pensar...
    Livrar-me das perdas,
    Perder-me das desilusões,
    Agarrar-me às esperanças 
    Para acreditar que esse Amor que pulsa em mim
    É possível...

    Pudera... 
    Para acordar,
    Manhã brilhante à minha espera,
    Realidade beijando-me a face clara
    A dizer-me que o desespero era mentira...
    Pudera ouvir do dia
    Que você caminha ao meu encontro
    Trazendo flores e ternura
    Para escrever em minha vida 
    Uma história eterna...

    ***

    CONTRASTE

    Sou clara e inteira.
    Absorvo tudo o que vejo instantâneamente
    Da maneira como se mostra: sem Amor ou indiferença.
    Sem qualquer ilusão.
    Não me julgue: sou apenas verdadeira.
    E bonita. Sem pretensão, nem vaidade.
    Olho com olhos de uma pequena deusa, azuis como o céu,
    Livres como o Vento, penetrantes e transparentes 
    Como o brilho prata da Lua.
    Minha mente não pára: medita incansável...
    Dentro dela vejo uma parede cor de pêssego.
    Há muito tempo meus olhos se fixam nela:
    Parte do meu coração.
    Mas é uma imagem que falha: some e aparece. 
    Escuridão e luz nos separam.

    Sou um mar agora. 
    E a outra mulher que há em mim
    Molha os pés em minhas águas.
    Em ondas revoltas ela tenta se olhar
    Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
    A luz da Lua a ilumina.
    Ela olha para aquelas imagens e vira-se:
    Julga-as mentirosas e quer ir embora. 
    O mar em que me transformei vê suas costas 
    E nas águas há um reflexo fiel:
    A constante agitação, a inutilidade da busca pela paz, 
    A dor da solidão, o vazio do silêncio.
    Ela me retribui com lágrimas e acenos.
    Também é uma mulher bonita mas ofuscada pela tristeza. 
    Sou importante para ela. Sou a outra parte dela.
    Ela  me reconhece.
    Sabe que sou mar porque ela me divide.
    Todos os dias ela vem... e se vai.
    A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
    Ela afogou uma garotinha em mim,
    E em mim uma velha emerge em sua direção, 
    Vagarosamente, dia a dia, 
    Como uma onda enorme e terrível.



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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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