• Porque escrever é um vício.

    Hitler. Eu li no blog dele sobre o ódio pelos alemães - de certa forma compreensível, já que ele é judeu.
    Então, eu que nunca escrevi aqui sobre isso, achei de dar uma palavrinha - não exatamente por ele, que é muito querido, e para quem, como ele disse, sou a exceção.
    Sou descendente de alemães - tá no meu nome, né? Meu avô veio para o Brasil fugindo da guerra.
    Certa ocasião, em visita a Curitiba, um amigo judeu de um conhecido me foi apresentado. Imediatamente uma rejeição clara tomou o ambiente: há um rancor contra os alemães que, eventualmente, se repassa a seus descendentes e um desconforto se instala.
    Claro que não é uma regra: eu tenho muitos amigos judeus, dos quais gosto infinitamente, que jamais fizeram qualquer referência à minha nacionalidade descendente. Mas quando acontece, é lamentável.
    Sempre digo que é pouco provável que o mundo ou muitos dos seus habitantes venham a entender que os descendentes de alemães carregam o estigma do holocausto sem nunca, em tempo algum, terem concordado com aquele horror. Para nós - quaisquer "nós" com pouco ou muito de sangue alemão e mínimo senso de discernimento - é um peso essa marca.
    É preciso saber que não se pode julgar um povo inteiro pela atitude de um governante insano e manipulador e que mesmo os alemães contrários a essa arbitrariedade, já na época, não tinham muito a fazer contra uma ditadura que, também a eles, era imposta - e há que se considerar que, na verdade, eles tinham uma idéia vaga do que acontecia, sem saber ao certo a extensão da gravidade.
    Eu me orgulho de ser descendente de um alemão que ousou fugir daquilo tudo, arriscando sua vida pela liberdade, ainda que limitada - porque Hitler prendeu a todos, inclusive aos seus, numa dor dilacerante: os barulhos da arbitrariedade desmedida não abandonam quem os ouviu, não importa de que lado estavam.
    A memória do holocausto não é orgulho para a Alemanha - nem para seus filhos, seus netos, bisnetos, para nenhum de seus descendentes.
    A memória do holocausto é uma lição que deveria servir de exemplo para que nunca mais o mundo provasse da loucura. E no entanto, muitos povos ainda estão à mercê dela, submissos e impotentes, numa era em que o ser humano prima pela evolução e se vangloria de sua sabedoria...

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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