• Porque escrever é um vício.

    Ele fez uma lista de palavras que inspiram essa época do ano e nos instiga a completá-la. Muitos que lá visitam deixam sua contribuição. Eu deixei a minha: o perdão.
    Daí pensei sobre isso e vi que nem sempre o exercito - e fiquei com aquela sensação do faça o que eu falo, não o que eu faço.
    É: tem alguém que eu não consigo perdoar...
    O perdão é uma dádiva. Perdoar é um ato de profunda sensibilidade. É aquela coisa de compreender a fraqueza humana, sabendo que somos, todos, passíveis de cometer atos que magoem, aborreçam, prejudiquem, de forma muitas vezes incalculável, um semelhante.
    Mas sejamos francos: perdoar não é lá tão fácil.
    E eu tenho essa dívida comigo mesma: não consigo perdoar uma pessoa. Já se passaram mais de dois anos desde que ela cruzou o meu caminho e, embora ela não mais me atinja e eu não tenha nenhum tipo de sentimento contra ela, o perdão não se fez. Sei disso porque se não a quero mal, não posso dizer que a quero bem; se não me incomodo em ouvir falar dela, também não cogito encontrá-la - ainda que isso, no futuro, venha a se fazer necessário.
    Talvez isso se dê porque ela nunca me pediu perdão, jamais reconheceu seu erro. É muita pretensão minha, sem dúvida, achar que isso pudesse acontecer, mas deveria ser assim. Eu, quando magôo alguém, ainda que não imediatamente mas reconhecido o entrave, trato logo de me redimir. Daí, nada mais natural que receber o mesmo tratamento, oras!
    Mas sei: não é assim.
    Tem também a visão da outra parte. Temos um amigo, advogado civil, que - hoje mais para constatação e muito por diversão -, quando está às voltas com um divórcio costuma conversar separadamente com os envolvidos. E sempre diz que ao final dessas conversas, sempre tem a impressão que está falando com parceiros de casamentos diferentes: sim, cada um tem uma versão muito própria para o rompimento e suas razões.
    Por aí, posso concluir que a pessoa que não perdôo pode pensar que eu é que lhe devo pedidos de desculpas!
    Então tá. Fiquemos com o dito pelo não dito. A virtude do perdão, em direção a ela, me falta - e deve continuar assim por muito tempo...
    Que Deus me perdoe.

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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