• Porque escrever é um vício.

    Vou me permitir fazer uma crítica da crítica.
    Muito tenho lido sobre a Casa das Sete Mulheres.
    E o pior que li foi no jornal de Campinas - o Correio Popular, onde trabalhei por muitos anos junto à Diretoria de Jornalismo.
    O que me parece é que muitos ainda não entenderam a que a minissérie vem. Atrelam-na à história e querem-na retratada na verdade literal que consta nos livros didáticos.
    Acontece que não é assim: é um romance histórico em que a guerra dos farroupilhas é o que eu chamaria de pano de fundo para contar o que viveram as mulheres - especialmente as sete da família do general Bento Gonçalves -, durante o conflito gaúcho que pretendia separar o Sul do restante do país (não precisa ser gênio para adivinhar isso: é só levar em conta o título do livro em que a trama está baseada).
    Fosse a guerra simplesmente, como efetivamente aconteceu e, obviamente, estaria sendo conduzida de outra forma - o que me soa lógico e natural, tanto mais em se tratando de Globo, que costuma ser quase perfeita nesse segmento.
    Mas as críticas vão mais adiante: dizem que o telespectador confunde algumas das mulheres por conta de participações na novela O Clone. Valha-me Deus! Isso é de um primarismo quase infantil - espanta-me um jornalista fazer tal referência. É considerar que somos todos uns idiotas, incapazes de separar uma ficção da outra.
    Há também os que estão escrevendo que os editores de núcleo deveriam ter escolhido atores gaúchos por conta do sotaque. Isso seria ótimo se houvessem tantos atores gaúchos no nível de uma produção de cem mil reais por dia. É muito ingênuo pensar que a Globo não escalou seus melhores, os vips, os mais passíveis de adaptação dentro do contexto proposto - que é fazer sucesso. E na minha opinião, considerando um e outro ainda fora do padrão, o elenco está de excelente qualidade.
    E tem muito mais, mas vou me permitir apenas mais uma crítica a uma observação - e pode ser que nessa haja alguma coerência -, que é sobre os cinquenta e dois capítulos (retificando) em que a minissérie estará no ar. Talvez seja mesmo longa demais - não pela ausência de beleza ou interesse, mas porque não dá pra ficar presa por tanto tempo em casa, quatro dias por semana, no mesmo horário, pra acompanhá-la em sua totalidade.
    De toda forma, perder um ou outro capítulo não afeta a continuidade - e pode ser revisto pela Internet.
    Eu, que amo as minisséries, vejo sempre que posso - o que tem sido todos os dias, desde o começo.
    E como admiradora incondicional da força que mora em nós, mulheres, estou encantada com a determinação de nossas iguais, em tempos em que lutar pelos desejos era quase impossível por conta da repressão acirrada ao sexo feminino...

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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