• Porque escrever é um vício.

    Tenho pensado em voltar a trabalhar. A questão é que, dessa vez, gostaria de me dedicar ao que gosto: escrever.
    Minha experiência de sete anos trabalhando em jornal, sussura que ainda tenho razoável habilidade para o meio, mas não é fácil angariar um lugar debaixo desse manto.
    Vou pesquisando - aqui e ali - e quem sabe descubro algo ou alguém me descobre. Tudo é possível.
    Trabalhar quase sempre é ligado ao financeiro: trabalha-se porque precisa-se - eu, que comecei a trabalhar muito jovem, nunca o fiz por ideal, mas porque primeiro meu pai tinha empresas e nos encaixava nelas pra ajudar; depois porque me foi necessário.
    Embora muitas pessoas proclamem aos quatro ventos que sem uma ocupação não conseguem viver, ninguém me convence da preferência por enfrentar chefes, pressões, horários, cobranças - além do trânsito -, a sol, mar, praia e a vagabundagem de ser livre vinte e quatro horas para fazer o que quiser.
    Eu não minto: adoro não trabalhar. O problema é que muito tempo ausente desse mundo paralelo aliado à minha natural tendência à reclusão, vai me fazendo cada vez mais ilhada. Como não gosto de telefone e raramente ligo pra alguém, meu contato humano limita-se a família, encontros eventuais e muitos e-mails. Isso não é lá o ideal.
    Mas também gosto muito de estar em casa, tranquila, com meus afazeres domésticos e minha liberdade. Detesto ter que chegar às nove; almoçar ao meio-dia, só poder sair às seis da tarde. Isso me é terrível.
    Daí que, dessa vez - porque posso me considerar privilegiada por ter um marido que me permite escolher -, vou me dar o direito de trabalhar se isso me der prazer. Quando ela esteve aqui, às vésperas do ano novo, conversamos sobre isso: a possibilidade de se aliar trabalho a algo que nos acrescente algum contentamento especial. Não é fácil...
    Há dois anos, quando resolvi enfrentar o mercado novamente - depois de um ano e meio sem trabalhar -, fui parar numa empresa de Outplacement, com uma proposta bem interessante - que era organizar o banco de dados de perfis profissionais para o portal da internet, redigindo e resumindo qualificações para angariar o interesse de empresas - que nunca se concretizou: ao invés disso, eu passava dez horas digitando currículos para a Diretora de Operações, agendando reuniões e tratando de seus assuntos pessoais, com um infernal telefone na minha mesa. Quer dizer: de Assessora de Comunicação eu virei uma Secretária Executiva - cargo que, pelo menos naquele momento, não me agradava. Previsivelmente, demiti-me dez meses depois - e foi o máximo que consegui aguentar.
    Isso me irrita profundamente: contratam você para uma função, que lhe soa feito música nos ouvidos, e depois te amarram aos interesses deles, empurrando pra frente o que lhe fez aceitar os montes de ter que: era só um canto de sereia. Deveriam ser processados esses vendedores de ilusões profissionais!
    Também estou procurando um editor - não pra mim, mas para um livro de crônicas - que já está pronto e merecia ser publicado.
    Se alguém que passa por aqui conhece alguém com interesse em lançar um novo autor, escreve pra mim - sei que é muito difícil, mas pode não ser impossível.
    O ano está começando. A temporada é de idéias - e eu ando cheia delas (algumas insanas, segundo meu marido)... Se você também as tiver, eu estou de olhos e ouvidos atentos!

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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