• Porque escrever é um vício.

    No Dia dos Mortos (!), um pouco de silêncio e uma vela pra iluminar a escuridão...



    "Eu pedia licença a Deus, encostava a testa no vão da porta e espiava: lá estavam os mortos, aquietados, cada um em suas gavetas, o rosto eterno que eu não via. Os mortos, sim, me vigiavam. Guardados naquele silêncio, sobras de vidro e metal, não dormiam: à noite, eu sabia, eles voltavam às casas onde tinham amado, esfregavam os rostos nos espelhos até sangrar, e seu lamento agudo gotejava no sono dos vivos, como chuva.

    Eu me retirava devagar pelo caminho de pedra - os olhos dos mortos grudados nas minhas costas..." (Lya Luft, em Mulher no Palco)





    "Todas as vezes que me vejo diante dos portões de ferro, muros de pedra fosca que envolvem as lápides frias, estremeço diante do abismo. Pouco entendo da Vida e, exceto pela dor, nada compreendo da Morte... Mas penso se esses que dormem, quietos, imersos na terra, na verdade não caminham no meio de nós. Eu que já morri tantas vezes sem que ninguém percebesse, trago comigo a dúvida incômoda de também não saber quem são os vivos, quem são os mortos. E enquanto minha mente vagueia, os ventos que folheiam a grama e o ar gelado que perscruta a alma, vem impor uma estranha certeza: sussurram que a Vida e a Morte são uma só Dama..." (DB)

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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