• Porque escrever é um vício.

    Agora chove - vi através da janela da varanda. Derramam-se aquelas águas que molham brevemente as ruas e provocam um tipo de sentimento impossível de decifrar.

    Tem sempre alguém que caminha na chuva... Tem sempre alguém que se perde na madrugada - e em seus pensamentos.

    Algumas noites são assim: deito-me muito cedo - terrivelmente cansada - e durmo um sono profundo para, de repente, duas ou três horas depois, acordar num salto, como se o dia já fosse claro e alto, solicitando urgências - logo eu, que não tenho pressa pra nada. Tem um tempo às avessas que me habita...

    Quando isso acontece, sempre me deixo ficar um tempo na sacada - com frio, calor ou chuva. Faz-se necessário, afinal, pactuar com o céu escuro um tratado de paz: mais tarde, antes do amanhecer, ele devolve o sono roubado.

    Antes, me deixa alerta para percorrer caminhos virtuais. E assim me enredo nas palavras alheias, que se abrem em mil faces, abrigando todas as sensações do mundo.

    Então deparo-me com saudades, dores e lágrimas, incompreensões e abandonos. Um tanto de muito amor, sempre. E também riso - que, apesar de tudo, ainda é possível ser feliz. Bem, eu tenho pra mim que a felicidade é pra todos, mas admito que pra alguns ela tarda. Mas chega.

    Por isso, é bom escrever, especialmente, de esperança...


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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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