• Porque escrever é um vício.

    Hoje (agora já é ontem), eu tinha decidido ir até Campinas, onde vive minha mãe. Às vezes, quero fugir de mim - houve um tempo em que eu mantinha uma valise pronta, escondida entre minhas roupas, como se a qualquer momento fosse acontecer uma emergência e eu precisasse sair às pressas...

    Entretanto, olho ao redor e vejo que isso não faz o menor sentido - nunca fez. Então, agora, aprendi de dar uma caminhada. As ruas são uma excelente terapia. A diversidade de movimentos e pessoas, distrai e nos tira do foco do que, eventualmente, nos aborreceu.

    Eu vou por aí: hoje, passei nas Lojas Pernambucanas, aqui na esquina, e comprei uma toalhinha para lavado, bordada e cor-de-rosa. Avancei até a Kopenhagen, na esquina de cima, e tomei um chocolate quente com biscoitinhos amanteigados - fazia frio, ventava muito. Depois, passei no bazar e comprei uma agulha de crochê - de repente, posso querer fazer uma nova blusa (eu queria mesmo era o vestido de linha da Ana Paula Arósio!). Daí, fui ao supermecado, do outro lado da avenida: distrai-me entre o nada que efetivamente precisava comprar, colocando no carrinho coisas que me dariam algum prazer: peito de peru e mussarela, pão integral, uma lazanha verde à bolonheza (Sadia, em oferta!), frango, carne, linguiça de frango (já que estava ali, porque não aproveitar para carregar o trivial?), um pedaço de queijo fresco. Nada mais.

    É muito curioso como, em lugares cotidianos, alguém cruza o olhar com o seu e um reconhecimento acontece: vem um sorriso, uma palavra qualquer, às vezes nem isso - só o silêncio mesmo. Mas é um instante de magia - presta atenção se não acontece com você também.

    Voltei para casa pelo mesmo caminho - e ele é sempre diferente. Garoava, aquela chuva fina que molha levemente.

    Voltei sem lembrar mais do que tinha me irritado. Porque a vida continua e eu tenho aprendido de não sofrer por coisas irrelevantes...


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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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