• Porque escrever é um vício.

    Eu sei que vou te amar.

    O texto de Arnaldo Jabor na interpretação perfeita de Fernanda Torres e Thales Pan Chacon - talento roubado pela morte precoce - ganha vida transformando-se em pura poesia, e dezesseis anos depois - com outro olhar e maturidade - a gente revê e conclui que continua atual, com uma retratação singular do amor em todas as suas faces.

    Incertezas, dúvidas, loucuras.

    Desejos de partir, na entrega do desconhecido, libertando-se das amarras.

    A necessidade de ficar, porque segurança nos mantém arraigados.

    Aquela pergunta impertinente, pelos cantos: "Aquilo que vislumbramos, no sonho desesperado que nos tira o ar, está além dos nossos muros, real e alcançável, ou é apenas criação de nossa mente imaginativa?"

    Quem somos, afinal, nos desenhos que fazemos de nossos ideais? Parte integrante da roda da vida ou seres que seguem o roteiro de um destino pronto?

    Seremos um script decorado, repetindo modelos, com medo de alçar novos vôos que rompam barreiras sociais, fazendo de nossas vidas o que esperam que façamos?

    Quantos de nós tem coragem bastante para desafiar as leis, surpreender arriscando o que parece certo - pelo menos para olhos alheios -, pelo duvidoso?

    Nossos silêncios ou gritos: quando é que nos ouvem mais? Quando nos protegemos na quietude ou rasgamos os véus e a voz?



    "Não amar é uma das maiores dádivas: estanca o sofrimento."

    "Nadei tanto, pra morrer aqui nesse mangue, sem ninguém saber por tudo o que eu passei."

    "Eu parei de te amar. Parei de te amar naquela tarde, às três e quarenta e cinco. Parei de te amar e comecei a amar fulano."

    "Agora eu estou indo embora. Toda mulher deveria ser livre e prostituta. Eu estou indo porque cansei de ser a sua boneca; eu quero ser mulher."



    Eu sei que vou te amar, o filme, de Arnaldo Jabor, 1986.

    Vale ver ou rever.

    Os conceitos, em mais de uma década, não mudaram. As questões são as mesmas, como também as contradições.

    Acho que somos todos personagens de uma trama que, com algumas variações, nos espreita todo dia...




    1 comentários:

    Juju Sales disse...

    Mto bom o filme ótima atuação de Fernanda e do Thales... pena ter partido tão cedo o saudoso Thales pan chacon

     

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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