• Porque escrever é um vício.

    Ela se pergunta quem é depois de cinco anos ao lado de alguém que foi embora.

    É difícil responder...

    Não importa quanto tempo se tenha permanecido junto a um ser amado - pode ser um mês ou uma vida quase inteira -, fato é que quando tudo acaba o vazio é insuportável.

    Achar-se novamente é um processo árduo: as referências ficam cruzadas e é preciso buscar-se no antes para tentar entender o que fizemos de nós a fim de nos reconstruir - e agora, sozinhos.

    Inútil dizer que passa. Eu costumo dizer que algumas coisas não passam nunca. Amenizam, é verdade, mas existem marcas que nem o tempo podem apagar.

    E afinal, para quê? É disso que somos feitos: das nossas memórias, de riso e pranto, de sonhos desfeitos e recomeços. É tudo necessário: o que vivemos é passaporte para o que ainda vem à frente e é indispensável para que seja possível não errar nos mesmos lugares.

    A dor - embora não reconheçamos imediatamente -, também pode ser doce quando é parte do processo que chamam crescer. Não é fácil, mas é assim que as coisas são.

    E geralmente depois de saltar esse abismo, a gente renasce renovada: outra pessoa surge das nossas próprias sombras, sai das brechas, aporta na luz - mais forte, mais inteira, serena.

    É verdade que, também isso, deixa sua cicatriz - e essa é para não nos deixar esquecer que, não importa o que aconteça, a gente sempre sobrevive.




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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