• Porque escrever é um vício.

    Ontem eu assisti Náufrago.

    É, eu sei, um pouco atrasada... Não importa: filmes são atemporais - assim como livros e canções.

    O que me impressiona sempre ao observar pessoas que vivem situações-limite, é a força que mora em sua vontade: um sobrenatural que as embala, num ritmo em que manter a vida é imprescindível.

    Fiquei pensando sobre a esperança, esse legado constante que nos abriga, muito além do racional. Há um agarrar-se à qualquer mínima luz, um fragmento, uma lembrança. Aliás, eu diria que apenas a memória de alguma coisa que nos é cara, pode bastar para nos manter lutando...

    E o lidar com a solidão? Por vezes, nos sentimos sozinhos com tanta gente ao redor. Que faríamos numa ilha deserta, onde os únicos sons vêm da natureza unido ao eco da própria voz? Falaríamos com árvores, escreveríamos na pedra, discutiríamos com uma bola de voley, dando-lhe vida e nome?

    E os sonhos? O que fazer com eles depois que o tempo os engoliu? As pessoas que amamos em outra sintonia, quase desconhecidas pra nós, parte apenas do desenho que fizemos delas para continuar acreditando...

    Quem se é depois de uma experiência extrema, de volta ao meio, com tudo o que deixou agora fora do lugar?

    Talvez um náufrago para sempre...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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