• Porque escrever é um vício.

    Dizem que a gente se conquista um pouco mais quando fica só...

    Hoje eu tive um dia solitário e acho que me perdi um tanto em divagações, impressões, sensações e medos...

    Faz uns anos ganhei, até tardiamente eu diria, o livro "Cem Anos de Solidão". Uma dedicatória carinhosa diz apenas que "Macondo é aqui mesmo, dentro de cada um de nós..." Bem antes de desvendar as páginas de Gabriel Garcia Márquez, eu já tinha vivido muitos anos de solidão... Tempo demais na minha concepção...

    As pessoas têm um discurso pronto a respeito desse vazio: estado de espírito. Há uma tendência a simplificar o que, olhado à distância, pode ser encarado até como tolice. Mas só as almas que se deparam com esse abismo mórbido são capazes de decifrar as marcas de um momento que seja, da infinita solidão de sentir que todos se esconderam e o mundo virou um alto mar, onde seu barco parece apenas paisagem de retrato...



    Às vezes, eu tenho a impressão de que alguém caminha por essa casa. Uma sombra, além da minha... Fantasmas...



    Eu costumo dizer que, de vez em quando, a outra mulher que me habita senta-se em algum canto e me espreita. Ela faz isso quando estou confusa e triste. Deixa eu ver se consigo explicar... É mais ou menos assim: aquela de nós que não consegue suportar estar dentro de si mesma, com suas indagações e tormentos, escapa para acima de tudo, num plano onde apenas o amor impera... Ela vai ficar quieta, no nosso sótão particular, lá onde nem as lembranças, nem o presente têm acesso: só o silêncio e a ausência de tudo que não seja sonho. Então ela se nutre de coisas boas, sorve do mel da felicidade, e tenta depositar tudo isso em mim, em nós, quando nos juntamos novamente... É como sobrevivemos...



    A loucura mora nas palavras... É tarde... Sinto falta do meu pai: conversar e rir um pouco... Ele era um mestre do riso e da despreocupação...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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