• Porque escrever é um vício.


    A moça do Outras Cenas escreveu uma crônica linda de Carnaval.

    E eu fiquei com muita saudade do meu pai - mais ainda -, pois ele era o próprio Carnaval trajado de humano: adorava a folia, a alegria, a música, a fantasia dos dias de festa.

    Desde muito pequena minha mãe me fantasiava - fui fada, bruxa, odalisca, bailarina, havaiana - e meu pai entrava comigo, de mãos dadas, como se eu fosse uma real Princesa conduzida por um Rei, nos salões do Clube de Regatas de Campinas. Era uma farra completa...

    No último ano de sua vida, já na fase terminal de sua doença, ele quis ir uma última vez aos salões. Mas não foi numa noite de Carnaval, e sim num baile pré-carnavalesco, semanas antes da festa começar. No Carnaval propriamente, ele já não tinha mais condições físicas para se aventurar à folia - quer dizer, já no pré ele não tinha, mas não foi possível dissuadi-lo da idéia. Acho que ele queria se despedir do evento do ano que mais o retratava e uma vez mais participar da alegria... Uma vez mais ver o salão iluminado... Uma vez mais sorrir e sonhar, vestir a fantasia...

    Nunca mais pisei num salão... Foi há dez anos... Acho que a gente nunca se acostuma com algumas ausências...

    Bandeira branca, amor,
    Não posso mais.
    Pela saudade que me invade eu peço paz.
    Saudade, mal de amor, de amor
    Saudade, dor que dói demais
    Vem, meu amor
    Bandeira branca eu peço paz...

    (Laercio Alves)

    4 comentários:

    Mari Monici disse...

    Querida....foi de arrepiar este post...realmente jamais nos acostumamos com algumas ausências, jamais. jamais dormiremos totalmente em paz parece-me...
    Esta musica, Bandira Branca, era nossa preferida (minha e do meu primeiro amor de carnaval) ele também adorava cantar pra mim: Ah Morena! Deixa eu gostar de vc...!
    Segunda de caranval...ja foi por terra a teoria de que domingo é a primeira melhor noite...rs
    Um beijo insône!

    Ana disse...

    Dé querida,
    Que sensão pode ser melhor do que a de sermos princesas de mãos dadas com nossos reis?
    Eu tbém, já me senti assim com meu pai. E, embora o tenha ao meu lado ainda nesse carnaval, senti uma pontada forte de saudades desse tempo, quando li seu post...
    Quando éramos então, princesa e rei. E nada mais...
    Bjs querida. Saudades!

    CrisEbecken disse...

    Aqui no fundo todas as palavras fizeram sentido, sentido tanto que para falar junto silenciam... mas um samba persiste: "candeeiro, cor dourada que ilumina meu peito..." Beijo, querida.

    Marisa Nascimento disse...

    Débora, não sei se você lembra de mim. Certa vez escrevi um mail pedindo autorização para publicar uma crônica sua em uma página pessoal. Em outras oportunidades, escrevi elogiando suas palavras, sempre tão convenientes. E eu era uma das visitas que enriquecia a estatística do seu blog enquanto ele estava em silêncio. Estou muito feliz por você estar de volta...
    Não conheço você além deste mundo virtual, porém sinto uma empatia muito grande por tudo que escreve. Acredite, quando fala de seu pai, apesar de não ter tido uma ligação afetuosa com o meu, sinto toda a carga de energia, sensibilidade e saudade nos seus escritos.
    Grande beijo e me permita estar por aqui de vez em sempre!

     

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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