• Porque escrever é um vício.

    Então, como em todos os anos, eu assisti à cerimônia do Oscar - do começo ao fim. E, como em todos os anos, não consegui deixar de me surpreender. Assisti à praticamente todos os filmes concorrentes e como espectadora compreendo as indicações, mas não raro termino com um ponto de interrogação na mente ao final do evento.

    Anunciaram que o melhor filme do ano é "Onde os Fracos Não têm Vez". Eu o assisti na véspera e tinha praticamente certeza de que, apesar de todo falatório em torno do indicado, ele não podia ser premiado como o melhor. Não por nada - o filme é até razoável -, mas é tão violento, tão desorganizado - na minha humilde concepção -, que não me cabia em tamanha exaltação. E não é que me enganei?

    Javier Bardem, premiado como melhor ator coadjuvante é válido - quando nada, pela excepcional caracterização de seu terrível personagem, que quase não abre a boca durante as quase duas horas da película, mas fala o tempo todo através da expressão corporal e facial; fora aquele cabelo que, como brincou o apresentador Jon Stewart, é o cabelo do ano. Mas o filme não vai muito além disso - inclusive, embora tenham dito que Josh Brolin foi ignorado, não se pode considerá-lo como um ator principal, porque o principal neste filme é a caçada arbitrária em torno de dois milhões de dólares!

    Aliás, Stewart, já na abertura, deu - não sei se sem querer e sem saber - uma pista do que vinha pela frente: depois da Academia não mais se inclinar aos finais felizes, agora prima por prestigiar os filmes violentos - daí, não sei porque o Brasil indicou aquele filminho (até bom) água com açucar - que ficou apenas na pré-seleção de nove indicados - e preteriu 'Tropa de Elite" esse ano.

    Muitos prêmios foram merecidos: os ao "Ultimato Bourne' (por seus sons, mixagens e técnicas), ao filme austríaco, "Os Falsários", que é excelente, à Melhor Canção - valha-me Deus, que são aquelas 'operas modernas' de "Encantada"?(e eu adoro Contos de Fadas!) -, "Ratatouille", uma animação sensacional, à direção de arte para "Sweeney Todd" merecidíssima, a Daniel Day-Lewis, simplesmente maravilhoso, e até à tal Diablo não sei o que, pelo roteiro de "Juno" - quando nada, pela coragem da moça de se aventurar nesse mundo conturbado do cinema e aparecer à festa naquele vestido de onça, com uma fenda de tirar o fôlego. Tinha que levar o Oscar por roubar a cena.

    Mas "Juno" é um filme fraco - do meu ponto de vista. É bonitinho, divertido, mas muito superficial pra tratar de um tema tão sério - que é a gravidez adolescente. Mas a idéia acho que era essa mesmo - dar leveza a tema tão pesado - e, portanto, a premiação de roteiro é justa, já que atingiu seu objetivo. E Ellen Page apenas repete sua performance de "Menina Má.com" - naturalmente, ela ainda é muito jovem (não de idade, pois tem espantosos 21 anos, mas como atriz) para saber que não se pode carregar um personagem para outro e me admirei de sua indicação.

    A francesa Marion Cotiollard carimbou seu favoritismo por "Piaf - Um Hino de Amor", mas as demais também são sensacionais: Cate Blanchett está maravilhosa como a Rainha em "Elizabeth - A Era de Ouro"; Julie Christie é pura delicadeza no emocionante "Longe Dela"; e ainda tinha Laura Linney, sempre espetacular, em "Família Savage".

    Há que se concordar que não tem como ser muito diferente: só um sai vencedor e a história real sempre protagonizou injustiçados. Um deles, pra mim, é Brad Pitt, que nunca foi indicado ao Oscar - e o merecia especialmente por "Lendas da Paixão", um filme premiadíssimo que se faz em torno dele. E, especialmente esse ano, achei que "Desejo e Reparação" merecia um pouco mais de atenção, pois é um filme brilhante, denso, triste e delicado ao mesmo tempo, muito bem feito.

    Senti falta de alguns rostos - como o de Russel Crowe, Antonio Banderas, Morgan Freeman, Kevin Spacey, até Brad e Angelina (algum desses estava lá e eu não vi? Acho que não...)

    Enfim... Gosto da cerimônia do Oscar por mais que nem sempre me agrade seu resultado, mas não posso negar que, a cada ano, apesar de todo seu glamour, ela perde um pouco de encanto. É como tudo, não? Não dá pra agradar a todos e a passagem do tempo está sempre a minar a beleza...

    1 comentários:

    Marisa Nascimento disse...

    Oi Débora!
    Tenho que confessar que, há algum tempo, passei a não ter muita disposição para assistir ao Oscar.
    Acho legal você continuar com o hábito, porque, mesmo se for para criticar, a gente precisa estar atualizado, não é?
    E, cá entre nós, ler o resultado, no dia seguinte, na internet, não tem a mesma emoção nem o mesmo charme.
    Beijo.

     

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
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    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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