• Porque escrever é um vício.

    Meu enteado, o Bio, veio passar a tarde conosco (agora já é ontem).

    O dia, ensolarado e lindo, convidava à varanda para muito papo e riso. Falar de coisas importantes e outras nem tanto - as nem tanto combinam mais com tardes assim, quando a descontração impera e só se quer mesmo curtir a presença dos que se ama.

    Depois, nos reunimos para tomar um lanche. A mesa pede mais trocas. E a gente faz.

    Fala, então, de amor - a gente sempre acaba falando de amor, não? É um assunto pertinente e constante.

    Abordei histórias mal resolvidas. Eu não gosto delas. São aquelas em que as pessoas deixam algo pra trás, ainda faltando fechar o ciclo. São perigosas...

    Os personagens de histórias mal resolvidas congelam-se. O tempo passa e eles permanecem lá, naquele tempo que foi bom. Esses seres não envelhecem, não têm defeitos, se sobrepõem ao resto do mundo. Num exercício inconsciente, são alvo de comparação e são sempre vencedores - ninguém, nunca, será melhor do que eles.

    É necessário resgatar esses amores - ainda que por um breve período. Para tirar a cisma - porque eles sempre serão o romance ideal - e concluir que são pessoas de carne e osso e que, sim, a perfeição que lhes é atribuída normalmente é uma miragem distante. Para saber que o tempo que se viveu ao lado delas foi maravilhoso, mas é um tempo que teve dia e hora para acabar - e já acabou, perdurando só na memória.

    É a única maneira de ir em frente e se abrir para um amor verdadeiro. Do contrário, a história mal resolvida cresce sobre nós e passamos a achar que a felicidade ficou junto com ela, impossível de repetir-se.

    Ele levou minhas considerações consigo - é uma discussão produtiva, das quais se tira algumas conclusões embora o assunto jamais se esgote... Eu, porque o quero infinitamente bem, desejo que ele ultrapasse esse entrave que o mantém prisioneiro numa época que não existe mais.

    E meu desejo também abrange a todos que estão estancados num cenário que já foi dissolvido: olhar adiante - porque o horizonte à frente é o que guarda com ele um arco-íris mais colorido que aquele do passado...


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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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