• Porque escrever é um vício.

    Visitei o Bazar dos Sonhos pela primeira vez. E lá encontrei essa poesia (de W. H. Auden), que uma vez li no obituário de um jornal e guardei só fragmentos, partes soltas. Por muito tempo a procurei inteira, e vejam só como é o destino: quando eu parei de procurá-la, ela veio a mim - ao acaso, como é tudo...



    "Pare os relógios, cale o telefone

    Evite o latido do cão com um osso

    Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie

    A vinda do caixão, seguido pelo cortejo.



    Que os aviões voem em círculos, gemendo

    E que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.

    Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua

    E que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.



    Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste

    Meus dias úteis, meus finais-de-semana,

    Meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.

    Eu pensava que o amor era eterno; estava errado.



    As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma

    Guarde a lua, desmonte o sol

    Despeje o mar e livre-se da floresta

    Pois nada mais poderá ser bom como antes era. "



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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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