• Porque escrever é um vício.

    Meu marido hoje teve uma reunião após o almoço para acertar detalhes de um de seus novos projetos. Abdiquei de acompanhá-lo e isso significou ficar sozinha, a tarde toda com a casa só para mim (e as cãs) - embora meu enteado, o Bio, tenha passado para instalar uns programas no micro do pai e pegar uns CD´s.

    Música - a que eu gosto -, no volume que aos meus ouvidos apetece; ignorando, calidamente, o telefone; janelas abertas - escancaradas, pra dizer a verdade -, e o ar invadindo tudo, esvoaçando cortinas, entrando pelas brechas. Sol e vento na varanda numa infinita expressão de liberdade...

    Até pensei em descer à piscina, mas achei que o momento merecia ser curtido com privacidade.

    Ah! Eu já nem me lembrava mais dessa sensação de ser só minha, ainda que por algumas horas.

    O casamento tem a faculdade de nos tornar dois: mesmo distantes, a gente continua uma dupla, porque o outro, ausente, parece nos chamar todo o tempo e é difícil esse desligar-se para uma entrega exclusiva a si mesma.

    Eu morei muito tempo sozinha e, confesso, isso também cansa. A solidão exagerada causa vazios inexplicáveis e rouba nossos brilhos: eu fui uma mulher de olhar perdido, sem foco, por anos demais. Amo a minha vida atual.

    É só que, porque não trabalho fora e meu marido optou por controlar seus negócios aqui de casa, passamos muitas horas juntos e se isso estreita a relação, eventualmente deixa uma impressão de que a individualidade foi castrada. E também porque, com tantos filhos, o entra e sai é constante e esse requisitar de mim (de nós) por vezes me faz pensar que pausas, reais, são um sonho distante.

    Nada grave. De vez em quando, respirando um pouco dessa liberdade que se espreita pelos vãos, a certeza me cobre: viver junto a esse homem querido e com essa família que herdei, foi a melhor escolha que fiz.



    Deixa eu ir, aproveitar um pouco mais dessa calma só minha...


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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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