• Porque escrever é um vício.

    Eu vou deixar registrado aqui o meu obrigada a todas as pessoas que abriram seu coração para falar de medos e transformar os meus numa distante miragem...

    Sentimentos são assim: a gente sente até esgotá-los; e pode ser, então, que eles simplesmente desapareçam - pra voltar depois, em outra fase.

    Um tempo atrás eu parei de ter medos. Por dois anos, não os tive mais - nenhum tipo deles. De repente, um processo os desencadeou de novo. Veio, curiosamente, daquilo que nunca havia me ocorrido. Agora, eu sei que existe.

    Medos são mutantes, percebo. Eu os tenho do conhecido: é ele que me angustia; o desconhecido me fascina: seu mistério, aquilo que não sei.

    Tudo o que a gente não conhece não teme, porque ainda está na penumbra - ouve falar, mas nem sabe como vai ser se acontecer: então, não é conosco. Mas depois de ser atropelado por um viés qualquer, desenvolve-se um medo principal: da repetição. Antes, era só possibilidade, talvez distante, talvez inatingível - e assim devia ter permanecido; depois, verdade que se ergue, passível do outra vez. E o outra vez é pior do que a primeira vez. Porque é culpa nossa: a primeira vez a gente pode estar distraído; no outra vez, não pode mais - nem está mais, o que é pior!



    Mas saindo um pouco da seriedade, eu quero falar do medo de aranha, dela. Eu ri com isso: ela tem o dom de transformar tudo numa maneira de nos roubar um sorriso.

    Daí que eu tenho medo, nessa linha, de todo animal não doméstico, incluindo aranhas, mas especialmente jacarés.

    Quando eu era criança, dormia sozinha, no meu quarto. Sempre suspeitei que um crocodilo dormisse embaixo da minha cama. De noite, às vezes queria levantar mas não o fazia: imaginava que ele me devoraria inteira, minha mãe nem ia perceber...

    É... Quando criança, a gente tem medos inofensivos...



    Desvio de assunto: no final da tarde, ela vem. Vem pra sentar-se comigo na varanda - que hoje o dia está azul, apesar do vento -, e conversar: quem sabe falar de medos, mas especialmente das coisas boas da vida.




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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