• Porque escrever é um vício.

    Deixa eu contar: alguns de vocês devem se lembrar do meu novo vizinho - aquele, que avisou que ia fazer uma pequena reforma antes de mudar e quase derrubou o andar abaixo. Bom: isso já é coisa do passado.

    Pois ontem, estava eu aqui, cuidando da minha vida - como sempre faço -, quando a campainha toca. Já me surpreendo - porque aqui não sobe ninguém sem avisar.

    Com as cachorras à tiracolo, abro a porta e quem está no hall? Ele mesmo, o vizinho.

    Digo um lacônico Boa noite e ouço sua argumentação por me incomodar: ele reparou que, atualmente, estamos com um carro só e temos duas garagens, bem em frente ao elevador social - um privilégio. Pois ele, tem quatro carros e três garagens - vejam só que informação relevante para a minha vida. E ele quer saber se podemos trocar nossas duas garagens - que não usamos, segundo os critérios dele -, por uma dele - que fica no meio do caminho do estacionamento.

    Fico ali parada, por um momento, olhando para o vizinho, pensando se aquilo realmente está acontecendo - inclusive, enquanto perco parte de Esperança (que, tudo bem, assisto eventualmente, mas gostaria de estar vendo naquele instante, tranquilamente no meu sofá).

    As cachorras estão com o narizinho, uma sobre a outra, no vão da porta entreaberta, atrás de mim, como a bisbilhotar o desfecho - e me ocorre que, aquilo sim, parece uma cena de novela.

    O vizinho espera uma resposta - o olhar fixo no meu. Ok.

    Explico pra ele que o fato de estarmos com um carro só é circunstancial - já que um dos nossos foi roubado, recebemos o seguro, mas estamos esperando uma melhor oportunidade para adquirir outro.

    Ele me interrompe, rapidamente, dizendo que, quando a gente tiver outro carro, ele devolve nossa garagem - mas que gentil, não?

    Continuo dizendo que, ainda assim, meu marido tem quatro filhos e que quando eles vêm, utilizam a garagem, já que minha enteada tem bebês e quando os meninos resolvem passar a noite, precisamos da vaga, pois todos têm carro.

    Ele me diz que nunca viu nenhum carro além do nosso ali.

    Então tá: eu quero terminar o papo. Digo a ele que vou falar com meu marido e se houver interesse na troca temporária, a gente entra em contato.

    Depois da uma da tarde, ele avisa, que antes não tem ninguém em casa.



    Olha, cara de pau é uma coisa que ainda continua me assombrando (isso dava uma crônica). Me abana, como ela costuma dizer de vez em quando...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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