• Porque escrever é um vício.

    Presença de Anita: últimas impressões, epílogo...



    Não há muito a dizer sobre o que me restava a ler.

    Concluo que é um livro incompleto, uma história inacabada, que perdeu seu foco na metade e desandou a enredar-se pelo sobrenatural - que, afinal, não me parecia, à princípio, ser seu destino.

    Embora, na minha humilde opinião, o autor tenha um talento nato para a escrita - pois narra com precisão os detalhes e até mesmo o irreal tem arte por sua linha de pensamento -, faltou-lhe acompanhar o fio da meada a que se propôs: a Presença de Anita transformou-se em distante sombra, um fantasma viajante na memória de um homem em cuja alma a loucura - através do descontrole emocional - habita.

    Perdeu-se, ao desviar-se do enredo inicial, a oportunidade de confrontar mulheres tão distintas e vasculhar a força que rege cada alma feminina diante da contradição de sentimentos tão latentes - como o amor, o ódio, a traição, o perdão, a vida e a morte num mesmo patamar. Ao invés disso, centrou-se na fraqueza de um homem tolo, cuja confusão interior acabou por tornar banal um cenário que tinha tanto contexto.

    Ficou no ar a promessa de um romance ardente, maldito, de paixão e desatino. Pra não ser tão injusta, o desatino é a parte que se cumpre...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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