• Porque escrever é um vício.

    Eu andei, hoje, sapeando por alguns blogs - alguns conhecidos, outros nunca lidos.

    Nem sempre consigo comentar as impressões. Por onde passei nessa madrugada inquieta, encontrei letras de música, poesia, saudade, dor, incompreensão. Um tanto de amor, sempre, que tudo parece girar um pouco ao redor do sentimento supremo.

    São tempos de infância, amores perdidos, morte e renascimento, vida que segue 'apesar de...', 'além de...', 'por causa de...'.

    Não chorei, mas tive vontade. Nos útlimos dois meses, não derramei nenhuma lágrima - são as tais 'pílulas azuis', vocês sabem... Tem qualquer coisa de errado nisso, eu sei: é um amortecimento emocional, como se você ficasse imune ao revés, com um sentimento de que tudo é normal, parte do 'processo'.

    Então tá. Como a 'maré não está pra peixe', não estou em tempo de questionamentos; melhor, para o momento, render-se ao inevitável - porque também ele é necessário à sobrevivência.

    Não posso negar que incomoda um pouco essa ausência de sensibilidade, esse estado alterado de consciência, essa naturalidade falsa que nos passa a impressão de acomodação. Dentro de mim, eu sei, tem um vulcão em constante erupção que tem que ser controlado pra não arrasar tudo ao redor.

    Sim... É preciso um pouco de quietude na alma - e como ela não vem sozinha, há que se (ab)usar dos avanços médicos para manter o centro, não sucumbir ao inevitável, continuar avançando pelo caminho do meio.

    Sinto minha cabeça latejando. Será o peso das impressões alheias?

    "(...) Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe fim aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne. Morrer..., dormir..., dormir... Talvez sonhar... Sim, eis aí a dificuldade! Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando nos tenhamos libertado da confusão desta vida."

    (Shakespeare, em Hamlet)


    4 comentários:

    .: Menina do Oriente :. disse...

    te encontrei pelos blogs da vida... num em especiald e uma amiga "Padma Wang" o PReliminares... há muito sigo tua escrita..d esde a crônica do dia, àrtemis e eoutros.. sou a Bugra - das extintas Sesmarias..a gora fazendo oficina literária com a Letti - dos teus tempos de àrtemis... te encontrei de novo, não pelo acaso..fiquei feliz..bjo na palma da mão..
    Bugra

    Ana disse...

    Dé querida,
    A gente até riu, e ri, das pílulas azuis, mas deve haver algo de errado mesmo nisso.
    Mas, veja bem, deve haver algo de certo em ficar 2 meses sem chorar e viver a vida de forma menos dolorasa, não?
    Gosto tanto de vc querida!
    bjs
    Kika

    padma wangmo- disse...

    um beijo.
    que legal duas amigas se reencontrando no meu blog!!!

    Mariana disse...

    Bom, agora entendi sua inquietação diantes dos meus infinitos questionamentos...ando com perguntador e disparador de lagrimas ligados...devido à falat de repostas pas duas coisas...e pilulas azuis querida...ai ai..que queria umas cor-de-roas...tem aí?
    Beijo e obrigada sempre! Adoro vc!

     

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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