"Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler." - do livro "A Menina que Roubava Livros", de Markus Zusak.
Pois então: esse é o livro que estou lendo nesse primeiro mês do ano. Um livro terrivelmente belo, mas incrivelmente triste.
Não poderia mesmo ser de outro jeito quando é uma história cuja narradora é a Morte - em 'osso e voz' -, retratando a vida de uma adorável menina alemã em plena guerra de Hitler.
Leio o livro aos sobressaltos. Na semana passada, fiquei alguns dias sem lê-lo, apenas observando-o todas as noites descansando sobre o criado-mudo. Um pouco de medo estava instalado ao redor das páginas brancas. Agora, retomei-o novamente, enfrentando as sombras que ele encerra.
Dentro de mim, do momento em que diariamente retomo a leitura até pará-la, se instala um buraco bem no meio do estômago e o coração se acelera: tem uma iminência constante rondando os personagens - a Morte está sempre sorrateira, espreitando, à espera de dar o golpe - e uma tensão me tumultua os sentimentos.
Contradizendo essa angústia, a beleza da pequena Liesel Meminger, sua inocência, a delicadeza, sua gigantesca capacidade de amar e querer bem, seu abandono infantil solitariamente maduro; tudo isso misturado a sua inquieta vontade de ler todos os livros do mundo, transformando-a na 'menina que roubava livros' em meio a uma Alemanha nazista, horrivelmente perigosa e assustadora.
Como neta de alemães, isso fica ainda mais gigantesco pra mim. A Alemanha e a loucura de um Ditador. Os erros de uma nação inteira que parecia viver sob uma curiosa lavagem cerebral, incapaz de raciocinar com alguma bondade.
Como isso foi possível? Ninguém jamais poderá responder.
Mas a Morte estava lá. E Ela tem detalhes a contar. Nada pode ser mais assustador do que isso - exceto, como Ela diz em Sua última nota: "Os seres humanos me assombram."
Ah! Sim: pra quem não me conhece bem, eu leio sempre a última frase de um livro antes de começar a lê-lo - normalmente, a história inteira está lá.
Expressões Letradas
"Quem diz tudo o que quer
dizer?
A gente sempre escala sobre o mais importante
- porque as palavras não são capazes
de traduzir as nossas misérias."
("A Casa das Sete Mulheres")


