• Porque escrever é um vício.

    "Mas o tempo é que ela temia (...); como ano após ano, a sua parte diminuía; quão pouco podia dilatar o que ainda restava e absorver, como nos dias juvenis, as cores, o sabor, o tom da existência." Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, no livro que deu origem ao filme As Horas.

    * * *

    De repente, penso nas pessoas solitárias, aquelas em busca de um amor. É uma longa e árdua caminhada. Encontrar alguém não é tão fácil como se pode supor.
    Eu costumo dizer que são os semelhantes que se atraem - ao contrário da regra de que os opostos é que se complementam. Depende...
    Há tantas variáveis nesse contexto, que só mesmo a convivência pode provar. Entre o fel e o mel do dia-a-dia, conseguir que o amor sobreviva aos impasses, dores, frustrações e derrotas particulares, é uma vitória ímpar.

    * * *


    Mas então: valerá a pena viver uma vida inteira à espera de um amor impossível? De um amor que é lembrança e miragem no pensamento de alguém? Para quem seremos imagem distante, recordação nebulosa de uma época que ficou parada no tempo?
    A história dá conta de muitos amores assim. De entregas que só a morte amenizou. De sentimentos que nenhuma distância desfez. De lágrimas que, dia após dia, cultuaram saudades insondáveis...

    Hoje, isso tudo pertence ao passado: o amor é emoção descartável, passível de troca ao primeiro impasse, ao mais leve dissabor, a mais suave ventania.
    A intensidade é outra, outros também são os propósitos. O mundo moderno nos deu tanta impaciência, que não cabe mais em nossas vidas nenhum tipo de estagnação.
    De toda forma, por mais que seja amargo e doloroso o desencanto das perdas e a frustração do amor sem retorno, a pergunta que me faço é se eram felizes nossos antepassados - com sua imensa profundidade -, ou o somos nós - com nossa superficialidade latente...

    3 comentários:

    Claudia Perotti disse...

    Tanto o filme quanto o livro mexem comigo de maneira intensa.
    Faz-me refletir.
    E por incrível que parece encontrei meus questionamentos em suas palavras. Não sei se vale a pena esperar, se vale a profundidade ou a superficialidade. Não tenho as respostas! O que sei é que a alma por vezes sangra e mancha as pegadas que deixamos no chão. E os questionamentos continuam ...

    Beijos

    Louise disse...

    Não sei o que é melhor, mas acho que a chave a questão está na intensidade com quenos permitimos ser felizes. Se houvesse formula seria fácil,mas como n tem o jeito é viver e não deixar "as Horas" passarem em branco.

    Boa semana
    Beijo no coração
    Louise

    Analu Menezes disse...

    É difícil estabelecer parâmetros em relação a relacionamento em pleno século XXI. Acho que o amor tem tempo sim, não é durável eternamente. E lógico que ele se transforma, muitas vezes em amizade e companheirismo, deixando de lado sua torrente inicial de paixão.
    No tempo da minha avó, quando nem mesmo amor havia, as pessoas se suportavam e conviviam. E arrastavam o casamento 'até que a morte os separe'. Hoje a coisa é diferente. Temos, mais do que nunca, o livre-arbítrio e podemos escolher. A felicidade está em nossas mãos. Mas é bom lembrar que o outro não é sinal de alegria e nem felicidade. O outro é complemento. A felicidade está dentro e não fora do ser :D
    beijos,

     

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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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