Quarta-feira, Janeiro 15, 2003

O primeiro tempo desse blog termina aqui: é necessário fazer uma pausa - não sei se breve ou permanente.
Fato é que se a virtualidade traz benefícios, também pode nos roubar coisas vitais - como, por exemplo, mais atenção ao dia-a-dia e às pequenas coisas que vão ficando esquecidas.
Eu fiquei fora três dias e sem computador. Percebi que ele não me fez a menor falta e me dediquei muito mais às pessoas à minha volta, dei espaço para novas idéias em mim, voltei a ler livros com mais atenção e prazer, e um monte de outros detalhes afloraram - ou seja, redescobri meu antigo mundo, interno e externo.
Entretanto, voltando pra casa - onde tenho um micro conectado 24 horas -, isso tudo passou novamente a segundo plano.
Daí que a gente tem que fazer uma escolha e vou optar por mais qualidade de vida nesse momento em que, percebo, não sei conciliar as duas coisas: preciso de mais tempo pra mim.
Enfim: não vou me alongar mais para explicar o óbvio.
Agradeço a todos que compartilharam comigo esse espaço - que me trouxe muitas pessoas especiais, que continuarão a fazer parte do meu universo.
Os arquivos ficam disponíveis e também meu e-mail.
A Cronica do Dia continua - quarta sim, quarta não (hoje, inclusive).
2003 é o ano da renovação de projetos, de realizações, mudanças.
Que nos seja um ano bom e feliz.

Vou me permitir fazer uma crítica da crítica.
Muito tenho lido sobre a Casa das Sete Mulheres.
E o pior que li foi no jornal de Campinas - o Correio Popular, onde trabalhei por muitos anos junto à Diretoria de Jornalismo.
O que me parece é que muitos ainda não entenderam a que a minissérie vem. Atrelam-na à história e querem-na retratada na verdade literal que consta nos livros didáticos.
Acontece que não é assim: é um romance histórico em que a guerra dos farroupilhas é o que eu chamaria de pano de fundo para contar o que viveram as mulheres - especialmente as sete da família do general Bento Gonçalves -, durante o conflito gaúcho que pretendia separar o Sul do restante do país (não precisa ser gênio para adivinhar isso: é só levar em conta o título do livro em que a trama está baseada).
Fosse a guerra simplesmente, como efetivamente aconteceu e, obviamente, estaria sendo conduzida de outra forma - o que me soa lógico e natural, tanto mais em se tratando de Globo, que costuma ser quase perfeita nesse segmento.
Mas as críticas vão mais adiante: dizem que o telespectador confunde algumas das mulheres por conta de participações na novela O Clone. Valha-me Deus! Isso é de um primarismo quase infantil - espanta-me um jornalista fazer tal referência. É considerar que somos todos uns idiotas, incapazes de separar uma ficção da outra.
Há também os que estão escrevendo que os editores de núcleo deveriam ter escolhido atores gaúchos por conta do sotaque. Isso seria ótimo se houvessem tantos atores gaúchos no nível de uma produção de cem mil reais por dia. É muito ingênuo pensar que a Globo não escalou seus melhores, os vips, os mais passíveis de adaptação dentro do contexto proposto - que é fazer sucesso. E na minha opinião, considerando um e outro ainda fora do padrão, o elenco está de excelente qualidade.
E tem muito mais, mas vou me permitir apenas mais uma crítica a uma observação - e pode ser que nessa haja alguma coerência -, que é sobre os cinquenta e dois capítulos (retificando) em que a minissérie estará no ar. Talvez seja mesmo longa demais - não pela ausência de beleza ou interesse, mas porque não dá pra ficar presa por tanto tempo em casa, quatro dias por semana, no mesmo horário, pra acompanhá-la em sua totalidade.
De toda forma, perder um ou outro capítulo não afeta a continuidade - e pode ser revisto pela Internet.
Eu, que amo as minisséries, vejo sempre que posso - o que tem sido todos os dias, desde o começo.
E como admiradora incondicional da força que mora em nós, mulheres, estou encantada com a determinação de nossas iguais, em tempos em que lutar pelos desejos era quase impossível por conta da repressão acirrada ao sexo feminino...

Terça-feira, Janeiro 14, 2003

Acho que não me fiz entender: o livro não é meu; é do meu marido.
Ele escreveu um livro de crônicas, há uns sete anos, e engavetou.
Eu gostaria de publicar; ele nem tanto.
Mas eu acho que o livro merecia ir a público: é temático - sobre a vida em condomínios -, e tem uma característica que eu, por exemplo, raramente expresso ao escrever: humor.
As situações são curiosas: viver em apartamentos, não parece, mas é algo que nos exige razoável jogo de cintura. Eu vou abordar isso amanhã, na Crônica do Dia, mas de um jeito mais estreito - especificamente sobre vizinhos em grandes centros urbanos -, sob uma ótica mais minha; meu marido conseguiu reunir pequenas estórias - com algumas pontas de realidade misturadas à ficção de sua mente imaginativa e bem humorada -, e o resultado é um apanhado de textos muito divertidos.
E o momento não podia ser melhor: com o novo código civil abordando amplamente questões da vida em condomínio, ele cairia como uma luva para amenizar alguns impactos das novas leis...

Tenho pensado em voltar a trabalhar. A questão é que, dessa vez, gostaria de me dedicar ao que gosto: escrever.
Minha experiência de sete anos trabalhando em jornal, sussura que ainda tenho razoável habilidade para o meio, mas não é fácil angariar um lugar debaixo desse manto.
Vou pesquisando - aqui e ali - e quem sabe descubro algo ou alguém me descobre. Tudo é possível.
Trabalhar quase sempre é ligado ao financeiro: trabalha-se porque precisa-se - eu, que comecei a trabalhar muito jovem, nunca o fiz por ideal, mas porque primeiro meu pai tinha empresas e nos encaixava nelas pra ajudar; depois porque me foi necessário.
Embora muitas pessoas proclamem aos quatro ventos que sem uma ocupação não conseguem viver, ninguém me convence da preferência por enfrentar chefes, pressões, horários, cobranças - além do trânsito -, a sol, mar, praia e a vagabundagem de ser livre vinte e quatro horas para fazer o que quiser.
Eu não minto: adoro não trabalhar. O problema é que muito tempo ausente desse mundo paralelo aliado à minha natural tendência à reclusão, vai me fazendo cada vez mais ilhada. Como não gosto de telefone e raramente ligo pra alguém, meu contato humano limita-se a família, encontros eventuais e muitos e-mails. Isso não é lá o ideal.
Mas também gosto muito de estar em casa, tranquila, com meus afazeres domésticos e minha liberdade. Detesto ter que chegar às nove; almoçar ao meio-dia, só poder sair às seis da tarde. Isso me é terrível.
Daí que, dessa vez - porque posso me considerar privilegiada por ter um marido que me permite escolher -, vou me dar o direito de trabalhar se isso me der prazer. Quando ela esteve aqui, às vésperas do ano novo, conversamos sobre isso: a possibilidade de se aliar trabalho a algo que nos acrescente algum contentamento especial. Não é fácil...
Há dois anos, quando resolvi enfrentar o mercado novamente - depois de um ano e meio sem trabalhar -, fui parar numa empresa de Outplacement, com uma proposta bem interessante - que era organizar o banco de dados de perfis profissionais para o portal da internet, redigindo e resumindo qualificações para angariar o interesse de empresas - que nunca se concretizou: ao invés disso, eu passava dez horas digitando currículos para a Diretora de Operações, agendando reuniões e tratando de seus assuntos pessoais, com um infernal telefone na minha mesa. Quer dizer: de Assessora de Comunicação eu virei uma Secretária Executiva - cargo que, pelo menos naquele momento, não me agradava. Previsivelmente, demiti-me dez meses depois - e foi o máximo que consegui aguentar.
Isso me irrita profundamente: contratam você para uma função, que lhe soa feito música nos ouvidos, e depois te amarram aos interesses deles, empurrando pra frente o que lhe fez aceitar os montes de ter que: era só um canto de sereia. Deveriam ser processados esses vendedores de ilusões profissionais!
Também estou procurando um editor - não pra mim, mas para um livro de crônicas - que já está pronto e merecia ser publicado.
Se alguém que passa por aqui conhece alguém com interesse em lançar um novo autor, escreve pra mim - sei que é muito difícil, mas pode não ser impossível.
O ano está começando. A temporada é de idéias - e eu ando cheia delas (algumas insanas, segundo meu marido)... Se você também as tiver, eu estou de olhos e ouvidos atentos!

Segunda-feira, Janeiro 13, 2003

Presente!
O fim de semana foi alegre - tempo de unir e compartilhar.
A mãe - que vem desenvolvendo males agravados pela depressão por conta da ausência do meu pai (que nunca se ameniza pra ela) -, ficou até mais bonita, um pouco mais otimista, e foi embora renovada. É como ela disse: mudar de ares, sair da rotina - ainda que brevemente -, pode ser bem positivo.
Mas ontem à noite meu micro foi acometido por um vírus - eu ando achando que tem vírus instalado em blogs...
O que tem de bom nisso é que hoje ganhei um micro novo - esse meu marido, vocês sabem, cuida de mim como ninguém. Agora, está a instalar meus programas e é possível que ainda hoje a virtualidade volte ao normal pra mim.
Por hora, empresto o micro dele e dou notícias - curtas e simples. Só pra dizer um oi.

Sexta-feira, Janeiro 10, 2003

Pois então: eu fui até ver a minha mãe e acabei trazendo-a comigo para o fim de semana. Não deu tempo de escrever porque tem meus irmãos, as cunhadas, os sobrinhos, e é tudo tão rápido - porque aqui fica o marido e hão de ser breves as saídas -, que as horas são poucas, os dias curtos, tudo hiperbreve - como ela diz.
E cheguei agora à noite e ainda não parei. E tem a Casa daqui a pouco - que eu continuo a acompanhar - e a mãe pra cuidar, e os cachorros, o marido...

Quarta-feira, Janeiro 08, 2003



A Globo quase sempre se supera nas produções de minisséries.
A Casa das Sete Mulheres não é diferente: com fotografia belíssima, atores de primeira linha encaixados perfeitamente em seus personagens e os mínimos detalhes com precisão intocável, o resultado é um cenário cinematográfico.
O tema é interessante: a guerra dos farroupilhas - uma história tão nossa, embora muito distante - tem aquele ar épico, lendário - apesar de tão real -, e vem nos lembrar de um tempo desconhecido, que ouvimos falar nas aulas de estudos sociais (nossa! quem lembra disso?).
E a abordagem através da linha que as mulheres traçaram - que a história quase nunca resgistra -, instiga: tantas mulheres - tão guerreiras, tão fortes, tão densas -, fazem a emoção se levantar, sacudir o interior e misturar os sentimentos. Sonhos, esperanças, desejos, expectativas, intuições, amores e ódios: tudo parte do que nos habita intensamente...
Com qual delas você se identifica? Quantas moram dentro de você?

Segunda-feira, Janeiro 06, 2003

A melhor lembrança que eu tenho do meu marido é o nosso primeiro beijo.
O que veio depois, nesses anos todos, nunca vai deixar de ter importância, mas foi ali, nesse primeiro contato íntimo, que uma história começou a se escrever.
E no futuro, não importa o que aconteça, sempre que eu me lembrar desse tempo - o melhor da minha vida -, é esse beijo que eu vou sentir...

Todas as histórias de amor são iguais...

Domingo, Janeiro 05, 2003

MAR VERMELHO
(...) O meu empenho cívico e democrático iniciado nas ruas de Paris nas últimas eleições presidenciais ficaria incompleto se eu não estivesse presente no dia em que o presidente do Brasil abriu o Mar Vermelho em plena Esplanada dos Ministérios na inacreditável Brasília.

As impressões sensíveis de alguém que esteve presente, ao vivo, na posse do Presidente, podem ser lidas aqui.
Ela que indicou...

Quanto carinho - inclusive de pessoas que nunca tinham me lido! Obrigada, gente! A quem escreveu aqui, pro meu e-mail, telefonou.
E é isso mesmo, como ele escreveu: a gente não tem noção de como é frágil. Num segundo, a roda da vida gira e o que parecia perfeito dá uma guinada.
Bom que, pra muitos de nós, são só contratempos, sustos que nos fazem pensar, sem provocar tanto estardalhaço.
Mas há que se saber que o imprevisto, o imponderável, a fatalidade estão sempre à espreita e a qualquer momento podem saltar sobre nós.
Claro que a gente não pensa assim - até porque, se for viver o tempo todo atento, fica paranóico. Mas vale considerar que quando alguém que amamos sai, pode não chegar nem voltar. Então, não custa dar um beijo, dizer Eu te Amo ou qualquer outra coisa boa, deixar ir e ficar em completa paz.
Eu tenho dois irmãos e eles estão sem se falar há quase um ano. Próximo ao Natal eu disse aos dois: Acho bom vcs acabarem com isso porque se acontecer algo a um ou outro, eu nem quero pensar na dor que isso pode causar. Eles continuam se ignorando e é uma escolha errada. O que, afinal, pode ser tão grande a ponto de afastar pessoas que, apesar das diferenças, com certeza se querem bem?
A vida está a nos ensinar a todo tempo, é só ouvir sua voz...
E vamos em frente, que estamos vivos, felizes, saudáveis, e isso é o que importa!
Um beijo muito carinhoso em todos vocês.

Sábado, Janeiro 04, 2003

E a adorável moça do Confissões, agora conta outras histórias, de um outro jeito, com outro olhar: aqui.

Foi hoje à tarde (agora já é ontem): eu estava indo para a casa dela e levava uma torta de limão - porque da última vez que ela esteve aqui, levou um pedacinho pra mãe, que adorou, e eu prometi levar uma inteira.
Ia feliz, pensando na tarde alegre que vinha pela frente.
Mas no meio do caminho, um carro resolveu me atropelar: eu vinha tranquila e ele estava parado, à direita; achou de cruzar a avenida pra entrar numa garagem do outro lado da rua. Olhou pelo retrovisor - que segundo ele estava embaçado (!!!) -, e não me viu: eu devia estar a cinco metros quando ele engatou primeira e acelerou. Tudo bem: chovia a cântaros. Mas eu vinha com os faróis acesos!
O impacto foi tanto, que demorei algum tempo pra entender que era comigo.
É bem engraçado isso: quando a gente percebe que pode bater, tem o susto de tentar desviar, de tentar impedir - às vezes inultimente; mas quando você nem vê de onde saiu o outro carro, apesar do reflexo de frear, não tem certeza de que a coisa é com você.
E de repente, tudo pára. Dura menos que cinco segundos e então é como se o tempo estancasse - ali e ao redor. Todo mundo pára.
No momento seguinte, tem alguém batendo no vidro do carro, perguntando se você está machucada: você, graças a Deus, não está.
Então se dá conta de que era tudo verdade: é mesmo com você aquele tumulto e há que se tomar providências - especialmente, tirar o carro da passagem que, no meu caso, arrastado pelo outro motorista, ficou completamente atravessado no meio da rua. O que vem depois é meio automático: ligar pra casa - santo celular que hoje lembrei de levar, sabe-se lá porque -, e acionar seguro, esperar o guincho, conversar com a outra parte. Só fiz o primeiro ítem, diga-se de passagem: eu dirijo há dezessete anos, fui piloto de rallye, só bati o carro uma vez (com um doido bêbado que atravessou a pista de frente no meu carro e quase me matou - e isso foi há quinze anos e eu não vi nada, que só acordei dois dias depois), de modo que não sei como agir.
E então você chora. Debruça no volante e chora: está sozinha, assustada, vulnerável.
Meu marido chegou e é sempre bom vê-lo: simplesmente pergunta como estou e me abraça - não quer ver o carro nem saber como foi, só como estou. E resolve tudo: num passe de mágica, está tudo bem, acabou, podemos ir pra casa.
Antes, como se nada tivesse acontecido, passar na empresa - ele tinha uma reunião - e depois jantar. Lembrar de avisá-la - que, na confusão, seu telefone me fugiu da memória e eu sabia que ela estava preocupada porque eu nunca chegava... A torta? Totalmente despedaçada, chantilly por tudo, levada pela enxurrada - entortada de vez, como brincou meu marido.
Mas é assim: a vida vale pelo momento. Você sai de casa e não sabe se vai chegar onde programou e te esperam, nem se vai voltar.
Então é tratar de viver. Intensamente.

Quinta-feira, Janeiro 02, 2003

Acabo de assistir A Partilha. Tudo bem: muito atrasada, eu sei. Mas filme pra mim é coisa atemporal. Houve uma época em que eu ia ao cinema toda semana - até duas vezes na mesma. Depois isso foi ficando mais espaçado, até escassear, saindo da lista de diversão ou, quem sabe, porque fiquei ainda mais caseira e vídeos e DVD´s no aconchego do sofá acabam por me atrair mais. Liberdade também é isso: ver um filme quando a oportunidade ou a vontade aparecem.
Além do que, A Partilha passou no cinema num período muito conturbado da minha vida. Eu trabalhava numa empresa na Paulista e todo dia passava em frente ao enorme out door instalado ali e era muito convidativo. Só que eu adiei - de vez em quando, a gente tem a impressão que algumas coisas podem esperar pela gente indefinidamente (o que é um grande equívoco) -, e parou de passar... Mas enfim hoje a TV veio com ele.
E o que dizer das relações familiares, sempre conturbadas? É incrível como pegamos caminhos totalmente diferentes uns dos outros e como ficam pra trás as crenças em mundos perfeitos, sonhos sempre realizáveis, cenários ideais. A gente aprende mesmo é de sobreviver - e cada um faz isso como pode.
Meu marido perguntou-me com qual delas me identifico mais: talvez com a Selma (a personagem de Gloria Pires). Acho que sou arraigada, indecisa, sentimental, sempre tentando fazer a coisa certa - embora nem sempre o consiga. Sou aquela que faz o que tem que ser feito, que tenta manter tudo no lugar.
A abordagem é boa e o retrato desenhado por Miguel Falabella é muito fiel à realidade: uma partilha é um dos maiores pontos de partida para conflitos, afrontas, o escancarar das amarguras, o esparramar das dores, o acerto de conta das mágoas.
O que sobra depois de limpar isso tudo define o futuro da ligação dos envolvidos. O saldo pode ser positivo ou não mas, finalmente, livre das amarras do passado...

E falando em filmes, um novo site sobre críticas: Depois da Pipoca. Todo mundo pode participar falando das suas impressões sobre o que viu e captou. Projeto interessante...

Quarta-feira, Janeiro 01, 2003

Nunca houve uma manifestação popular tão expressiva na posse de um presidente como a que se viu nesse primeiro dia do ano aclamando o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva.
Brasília (junto a muitos de nós - senão todos) é inteira verde, amarela e vermelha: de esperança, emoção, de crença na mudança, os olhos pregados num futuro sonhado por tanto tempo finalmente passível de se tornar real - ainda que com sacrifícios.
Já passa da hora de se angariar justiça e igualdade social, livrando-nos da miséria desmedida e sem dimensão, da margem cultural, da desleal falta de oportunidades.
Entendo que não será um caminho fácil e que não virá com a rapidez que ansiamos, mas folgo em saber que alguém ousa, com coragem, humildade e determinação em pró do bem comum, dar o primeiro passo em direção a um país mais digno.

Crônica do (primeiro) dia.
Se já estiver no ar - que aqui não estou conseguindo ver...

Agora é 2003 - tempo de recomeço.
Recomecemos...

E pra começar, contrariei os planos traçados para a noite: todo ano a gente janta no mesmo restaurante - que é muito bom, ali no Jardins.
Não sei porque mas achei que já estava na hora - ou passando dela - de mudar isso. Só que resolvi em cima da hora, no fim da tarde, enquanto nadava um pouco pra refrescar desse calor de 35 graus, surpreendendo inclusive meu marido - surpresas agradáveis são sempre bem-vindas, não? Ninguém pode ser julgado por elas.
E deu tudo certo: fiz uma bacalhoada, assei uns tomates secos, um arrozinho básico e torta de limão. Nos vestimos de azul e branco, pus uma toalha na mesa da varanda, acendi uma vela vermelha, estouramos uma champanhe e saiu tudo melhor do que a encomenda. Ainda consegui encontrar, por um milagre - que São Paulo às seis da tarde era só o pó - um pão especial e arrematei com deliciosas rabanadas. E café, claro.
À meia noite, fogos de artifícios - na TV e ao redor -, iluminaram os céus.
E foi assim que cruzamos o portal para o novo ano: na intimidade da nossa casa, telefonando para pessoas queridas e recebendo ligações de quem nos quer bem.
Depois revimos O Mensageiro, com (e de) Kevin Costner. É um filme sobre a esperança... Caiu muito bem...