• Porque escrever é um vício.

    Alguns fragmentos do meu balanço anual:



    Num ano em que o mundo foi surpreendido pela guerra tão escancaradamente perigosa e sem dimensão, eu lamentei pelo universo, mas tratei mesmo de reencontrar a paz que o ano anterior tinha me roubado - além de reconstruir meus sonhos interrompidos bruscamente e sem razão coerente. Busquei me centrar.

    Nunca foi tão imprescindível aprender - e reaprender. E entender que algumas coisas ruins acontecem para o nosso próprio bem, muito embora nem sempre tenhamos olhos para enxergar isso no momento em que nos assolam.

    Alguns reflexos de 2000 continuaram ao meu encalço e eu alimentei por um tempo mágoas que tive que superar para saltar adiante. Obriguei-me a perdoar quem aflorou meu ódio a fim de que, de novo, eu pudesse ver minha alegria florescer e a vida retomar suas cores - definitivamente.

    No início do ano eu era uma mulher opaca, confusa, arisca, envolvida em inseguranças e medos: guardava sombras no olhar. Mas fecho esse ciclo com todos os meus brilhos e os azuis que moram em mim irradiando muitas nuances: recuperei minhas certezas, dissolvi os abismos, despi as amarguras da pele.

    O que restou foi muita leveza, um estado de espírito quase infantil - que não me deixa, contudo, tirar os pés do chão.

    Sinto-me mais bonita - apesar disso não interferir em minha essência; mais madura sem perder minha jovialidade; menos amarga, ainda que, vez em quando, uma tristeza infinita e incompreensível me abata e me arrebate em lágrimas e soluços.

    A ausência do meu pai não me abandonou, mas já consigo conviver com essa saudade sem me perder do imprescindível: a importância dele em minha vida e a minha na dele. Isso salva-me (um pouco) da falta que ele me faz. Nossas famílias são abençoadas e cada vez mais estreitamos laços.

    Vou encerrar o ano na calma. Pouco importa se de branco, preto, comendo romãs ou saltando ondas: certo mesmo, só que estarei nos braços do meu marido, comungando com ele da felicidade que desenhamos, todos os dias, a quatro mãos. Meu beijo, meu sorriso, a luz dos meus olhos, serão o espelho que hão de lhe contar do meu amor e das minhas esperanças e desejos.

    Não farei promessas.

    À meia-noite, vou pedir a 2002 para que sejamos poupados das tragédias sem sentido. Isso, por si só, já é algo bastante grandioso.

    Vida, muita vida para todos...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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