• Porque escrever é um vício.

    Num grupo de amigos, eventualmente, desentendimentos acontecem - coisa muito natural.

    Nessas ocasões, não é raro que alguém tenha na ponta da língua uma explicação bem simplista: O que nos irrita é uma projeção de nós mesmos. Nossas sombras... Profundo, não?

    Mas eu discordo disso. Esse exercício de refletir o incômodo em si mesmo, soa-me como uma tentativa tola de ser sociável e bem aceito, mas é, na verdade, pra mim, uma negação de que o outro pode ser realmente irritante. Faz-se uma versão Polyanna do outro e um monstro de si mesmo, pois assim conseguimos mostrar o quanto somos superiores, pacientes, educados!

    Se fosse só assim, era realmente fácil de resolver, pois seria um problema individual... Eu acho que, uma ou outra vez, essa teoria pode funcionar. Certamente que, no outro, pode haver coisas que se reflitam nas minhas pendências mal resolvidas, mas isso não pode ser um padrão de justificativa para que se tolere pessoas arrogantes.

    A pergunta é: porque não se pode admitir que existem pessoas que são insuportáveis mesmo... e ponto?! E que tiram os outros do sério, e que instigam a irritação, e que gostam de aborrecer, e que fazem isso pra chamar a atenção, e que, sim, são capazes de transformar qualquer ambiente pacífico em um inferno coletivo?!

    Num círculo de convivência, para chegar a uma análise real, há que se perceber quantos se aborrecem com a mesma pessoa, porque não é possível que TODOS tenham as mesmas sombras projetadas.

    Acredito em sincronias, mas sem exageros...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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