• Porque escrever é um vício.

    No fundo, somos apenas isso: GENTE.

    E Gente tem dor de barriga, de cabeça e muitos problemas mesmo. Tem gripe, fica doente seriamente, sofre acidentes, incidentes, e se recupera - ou não.

    Gente morre...

    Mas tem muito riso, tem alegria, tem coisas boas pra contar.

    Gente é ocupada, trabalha duro, tem contas sem fim pra pagar.

    Gente tem perdas, muita ausência, tanta saudade.

    Gente chora...

    Gente tem histórias de vida muito parecidas, muito distintas, muito simples, quase iguais... Tem memória, lembranças, sombras...

    Gente anda pelo caminho do meio, anda pelo caminho da ponta direita, da ponta esquerda, à margem. Muitas vezes, por nenhum caminho.

    Gente procura saídas, encontra entradas, se perde em atalhos.

    Gente sente raiva, irritação, grita, se aborrece e perdoa. Compreende... Esquece...

    Gente tem medo, tem esperança, tem desejo, sonhos, ambições, buscas infindáveis.

    Gente tem desilusão, desencanto, incompreensão. Tem sua única verdade.

    Gente tem poesia e palavras duras.

    Gente mente, ilude, fere, magoa e marca...

    Gente trai... Faz intrigas...

    Gente escreve sobre assuntos sérios e sobre banalidades.

    Gente canta, toca, inventa música ou só ouve.

    Gente desenha, pinta, rabisca, estraga tinta e tela e pendura na parede, orgulhosa.

    Gente cria e destrói...

    Lê o que interessa e o que interessa pouco ou nem tanto. Às vezes, não lê nada...

    Gente gosta de muitos, só de alguns, de nenhum, mas vive entre todos.

    Gente gosta de animais... Cachorro, papagaio, peixe, tartaruga, gato...

    Gente tem virtudes, defeitos, manias, temperamento suave, rude, grosseiro, tranquilo.

    Gente tem passado...

    Usa batom vermelho, muda a cor dos cabelos, pinta as unhas: Gente é vaidosa.

    Às vezes, se tranca no quarto, se tranca em si, não quer mais viver: Gente tem depressão.

    Gente seduz, joga charme, envolve... Muda de idéia, se engana...

    Gente se une, se separa, abandona, se apaixona, ama, deixa de amar... e ama de novo... Gente recomeça...

    Gente é tudo isso e mais um tanto: na simplicidade complexa do ser, Gente somos nós.

    Que concorda, discorda, deixa passar ou leva tudo a ferro e fogo...

    Gente tem um tempo próprio que, eventualmente, não fica em sintonia com o tempo das outras Gentes.

    Mas Gente unida tem força... Tem uma contradição que se nivela e dá o tom: cumplicidade...

    Sabemos todos falar sério, mas Gente não precisa disso o tempo todo. Pelo contrário: Gente precisa de balanço, feito barco no mar. Afinal, Gente é barco no mar...

    Gente precisa de equilíbrio - riso e lágrima, dor e alegria -, pra não enlouquecer, ainda que tenha uma loucura enrustida.

    Gente precisa de liberdade... Dos passos, da expressão, do espaço, da alma... Voar permanecendo no mesmo lugar...

    Tudo isso... E só isso e muito mais...




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    Coordena os Portais Babel Cultural e Estilo 40. 
    Escreveu por dez anos para o site Crônica do Dia. Administra e escreve minicontos em Hiperbreves.
    Formada em Letras, trabalha com arte-visual. Casada, 'mãe' da Maya - uma Labradora chocolate. 

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